Literatura e História: bordando diálogos e palavras

 

O império da ciência é forte. Muitas instituições lutam para manter uma razão soberana, com traços positivistas. Nada contra a razão, nem a capacidade de organizar ideias e costurar concepções. Há uma complexidade geral. É preciso ter cuidado e pensar o mundo. Péssimo é eleger verdades e não admitir contrapontos. No debate, um santuário não traz esclarecimentos, mas quebra criações e nega as possibilidades de ir adiante.Releva o chamado  peso das argumentações, seus entrelaçamentos com a seriedade acadêmica. Portanto, não ficar num caminho único é desafio e gera preconceitos. Somos animais que se inquietam sem cessar, pois as certezas se balançam com fugas e enganos.

Há autores com reflexões fundamentais. Quem pode esquecer Freud, Nietzsche, Foucault, Ricoeur, Castoriadis e tantos outros? São construções de conceitos que facilitam a observação. Nada está cristalizado. As análises se chocam, as diferenças mostram as indefinições. A sociedade se movimenta, solta-se para o passado, busca torna-se transparente. Mas as luzes e as sombras não deixam de existir. Não há  como apagar as divergências, nem se desfazer das encruzilhadas dos labirintos. Razão e sensibilidade possuem lugares que se complementam. Instrumentalizá-las é danoso. E as relatividades, as curvas, os espantos?

A literatura inventa uma escrita. Para alguns, elabora o reino da fantasia. É apenas uma visita ao divertimento, não tem compromissos com o real. Surge a velha afirmação de que a ficção não adianta para resolver os mistério da história. Muitos não querem ver como os tempos se misturam , como linearidade não se mete nas astúcias do tempo. O escritor trabalha com experiências e imaginações. Borda palavras, acende olhares, usa metáforas, não esgota no lugar comum. A sua sedução é uma trilha para entender que a vida tem idas e voltas, não é uma falha cogitar nas permanências, nem aprender com a beleza.Escorregadio é fixar hierarquias inacabáveis e riscar o deslumbramento.

Como negar a incompletude,os desejos de superar lacunas? A cultura mostra que a insatisfação atravessa a história. Descartes fortaleceu o racionalismo. Sartre mergulhou na existência. Foucault redefiniu estudo tradicionais. A heterogeneidade é um encanto e não a consolidação de uma brincadeira mesquinha. Faulkner, Flaubert, Manoel de Barros, Guimarães produzem diálogos fabulosos com magias que tanto nos intrigam. No vasto mundo, esconder-se do acaso é uma tentativa de morte da reflexão. Há uma manto longo e estranho. Lembra a Odisseia. Somos nós que temos de bordá-lo, com escritas diversas, fragilizando vaidades, multiplicando espelhos. Temos que ouvir o canto das sereias, sonhar como uma pluma sem ponto marcado.

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