Lula: as grades também falam

 

Resultado de imagem para lula

 

Madeira de lei não deveria dá vez a cupins. Ela deveria mostrar serenidade, não derrubar equilíbrios. Mas a história não possui parâmetros fixos. O Brasil não é o país mais cheio de malandragem do mundo. Suporta cenas surrealistas e pantanosas. Passa por uma fase terrível, de desenganos múltiplos e cinismos sofisticados. Domingo foi um dia  fantástico, pelas suas acrobacias especiais. O transtorno desafiou qualquer profecia. Talvez, amanhã não seja outro dia. Será que Moro desistirá da sua viagem de férias? Como se encontram os procuradores? A confusão transformou sensibilidades e  agonias. E as instituições representam a solidez?

Terminei meu bacharelado em Direito. Não exerci a carreira. Preferi algo que me empolgasse. Sou professor faz tempo, 46 anos. Sempre fiquei perplexo com certas decisões jurídicas. Não me cabe interpretá-las. Há suspenses constantes com claras vestimentas políticas. As eleições prometem atiçar dúvidas. Quem merece confiança? Surgem figuras esquisitas. Defende-se o agressivo. O tempero é a intolerância, o aparecimento de discussões nas redes sociais. Não faltam desacatos, saudades do passado, vontade de sacudir o inimigo no abismo, religiões pragmáticas.

Lula tem sido um foco especial. Está na prisão. As manchetes anunciam análises de juristas famosos sobre a tragicomédia do domingo. Muitas discórdias, tipificações, porém não se nega que há negócios sem transparências Lula quer ser presidente. É uma ameaça para alguns. Malgrado seus pecados, ainda, entusiasma as multidões, discursa como poucos. Os conservadores tremem como nos velhos tempos da guerra fria. A mídia se solta e arruma o espetáculo. Lula já ocupou o poder, não é inexperiente e esquenta o debate. A dimensão das leis que o punem são colocadas em questão. A tensão é permanente, os compromissos se dispersam, fantasmas assustam.

A sociedade se abastece de símbolos. Notam-se mudanças. Há grupos que salvam as heranças fascistas, outros tentam fingir que amam a liberdade. As desigualdades não se foram, contudo muitas utopias estão adormecidas. A sociedade se balança, o pão e circo existem e a tecnologia colabora para colorir as verdades fabricadas. Lula já viveu seus pactos políticos, suas tergiversações, ganha nas pesquisas, porém assanha raivas  e frustrações. Diante de tantas celeumas, o sossego desapareceu. As grades isolam, no entanto não silenciam. Os despertares têm seus ruídos e a sociedade suas dissonâncias. A história dança seu rock pesado, tritura emoções, na mira do juízo final.

You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

Deixe uma resposta

XHTML: You can use these tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>