Maradona, Lula, Serra, Dilma: a vitrine do poder

Os nomes acima estiveram presentes nos meios de comunicação, com uma insistência permanente, desfilando suas vontades de poder.Chamavam leitores. Tocavam fogo nas opiniões. Multiplicavam paiões Mexiam com os indecisos. Transformavam-se em ídolos ou aumentavam o índice de antipatia pessoal. Figuras polêmicas. Ninguém vive sem notícias. Mesmo na época da falta de alfabetos, falar do outro era comum. Somos animais sociais, por necessidade e por prazer. Como viver a vida sem discutir o coletivo ou as virtudes e erros de cada um.

O tempo ensina e sacode verdades. A impaciência é uma constante, numa sociedade que gostaria de cultuar, sempre, a velocidade de um avião. Rebeldia, hoje, é ter paciência, contar as horas nos dedos, não se escravizar com a internet, alargar os momentos de preguiça. Mas e a grana? Pode ser acumulada sem esforço? Tudo não é mesmo mercadoria ? Quase não existem feriados. Trocar é o movimento maior, para que o ânimo se mantenha, mesmo que a saúde mental se desmanche. Deixa rolar. Não vamos estimular muita reflexão. Causa gastrite e incomoda. Respeitemos o caminhar de cada um.

Maradona fez 50 anos. Continua polêmico. Não hesita diante de um microfone. Procura imagens. Jogou muita bola. Craque sem igual no futebol argentino. Sua controvertida trilha não lhe tira os méritos de ser artista, de produzir o encantamento das gerações. É adorado, muito mais do que amado, por seus fãs portenhos. Dirigiu a seleção do seu país na última Copa, sem êxito esperado. No entanto, não escapa da mídia, nem quer ser esquecido.

Lula passou 8 anos na presidência do Brasil. Sua popularidade desafiou os institutos de pesquisa. Fez história, com suas obras e seus discursos inesperados. Poucos acreditavam que ficasse tanto tempo lá em Brasília. Representou a nação, tornou-se cidadão exaltado fora da nossa terra e recebeu elogios de vários cantos do mundo. Marcou mesmo os que, ainda, fecham a porta para seu governo. É claro que as carências são muitas, mas calar sobre as transformações não resolve.

Conhecer o que aconteceu, discutir, sugerir é assegurar que a política tem sonhos democráticos. A eleição lembra direitos e deveres. É festa, para fazer contraponto aos totalitarismos, mas traz meditação, pensar alongado, pois define para onde vão projetos, coragens, dignidades, devaneios. No final, a vitória de Dilma trouxe novas ousadias. Uma mulher no poder central, enfrentando resistências de muitos, como ocorreu durante as disputas dos turnos. O Brasil segue adiante, como muito coisa ainda pendente. Mas houve reviravoltas significativas.

Com a chegada de Dilma, Serra dá um tempo, depois de viver acirrados embates. Ficou com a marca de candidato do bem. Sua campanha poderia tomar outra configuração, porém  firmou um tecla perigosa. Caiu no maniqueísmo. Ágil e experiente, soube movimentar-se. Infelizmente, faltou um debate mais fértil, para todos. Sobraram utilitarismos estratégicos.Tudo merece cuidado e atenção. Repetir certos comportamentos e palavras ameça o fortalecimento de democracia. É preciso assimilar que o mundo tem cores e alegrias, como o quadro de Matisse. A vitória mostra a responsabilidade da escolha. É um outro começo.

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6 Comments »

 
  • Carlos Eduardo Medeiros disse:

    Antonio Paulo,

    COMEÇO…primeiro passo, segundo passo…caminhada.
    Nos rápidos 8 anos de mandato de Lula muita água e muitas cores passaram por debaixo da ponte. Me lembro como se fosse hoje, eu tinha 13 anos e via aquele homem tomando posse em Brasilia, a rampa do congresso e a passagem de faixa. Agora mais um governo desocupa o Estado brasileiro e um outro vai assumir.Uma Mulher!!! Depois de tanto tempo vivendo um patriarcalismo sem freios o Brasil entrega a direção da nação a Dilma. Depois de viver anos de repressão senta-se na cadeira da presidência, uma guerrilheira que colocou a sua vida em risco pela luta contra a ditadura e em favor da democracia. Ontem na urna, quando digitei o seu número e logo em seguida apareceu a sua foto e a do seu vice como se eles estivessem em minha frente falei: – Deposito em vocês a possibilidade de guiar o meu país. Apertei a tecla confirma e saí do meu dever de cidadão brasileiro. Porem engane-se aquele que acha que seu único dever é digitar uma tecla na urna. Meu dever é sair da posição de tranqüilidade,como no quadro, e verificar aquilo que estão fazendo do nosso dinheiro e do nosso país. As cores da Democracia só serão verdadeiras quando o brasileiro comum deixar a sua situação de comodidade para ser agente transformador do mundo. Mas o ufanismo e o patriotismo exacerbado devem ser deixados de lado, sem dúvida, ser fechado para as situações ,como podemos ver na historia, só levou o mundo em direção a guerra e aos conflitos. Me sinto honrado de ter uma mulher na direção do meu país e desejo que ela consiga controlar e transformar aquilo que não foi durante o governo Lula. Na transmissão do seu primeiro depoimento sendo a presidente eleita o seu conteúdo me deixou emocionado. Uma das partes que me deixou com orgulho de ter votado nela foi quando ela citou a liberdade de imprensa “prefiro o barulho de um imprensa livre do que o silêncio da ditadura”.
    Nesta frase sente-se todo o sofrimento passado por aqueles que tinham o desejo de transformar a situação vigente. Por tantos que morreram defendendo este ideal, é por causa deles que podemos manter este diálogo. Defendendo os nossos pontos de vista sem o medo de saber se abriremos os nossos olhos com o raiar de um novo dia.

    Abraços.
    Carlos Eduardo Medeiros.

  • Carlos

    Gostei muito da maturidade do seu texto. Clareza e opção pela cidadania que você acredita. Isso é ótimo para a sua construção política. Uma lição de autonomia bem colocada. Além de escrever bem, você reflete com profundidade.
    GRATO
    antonio paulo

  • Rafael disse:

    Antonio Paulo:

    Muito antes do Leviatã de Hobbes, Aristóteles afirmava que o homem é um ser político e necessita do outro para viver em sociedade. Nenhum ser humano vive só. A cidadania, a liberdade, a felicidade e outros são “instituições” que precisam do coletivo para existir, ou seja, os eleitores de Serra não podem ficar contrarios ou despreocupados com o governo de Dilma, pois a democracia é de todos e para todos.
    Em contra partida, com o estímulo ao consumo e à competição desenfreada, a economia capitalista, dinâmica e tecnologicamente inovadora, colabora para reforçar a cultura do individualismo e o isolamento. Dessa forma, favorece à formação de uma sociedade egocêntrica, com uma frágil conexão entre seus membros, na qual as pessoas buscam satisfazer apenas suas ambições, necessidades e impulsos.
    Solução? Não tenho certeza qual é ou será ainda, mas, com certeza, falta muito trabalho.
    Abraços e um belo texto professor.

  • Rafa

    Se todos entrassem na solidariedade , o mundo seria outro. Mas parece que o embate é sempre pelo poder. Fica difícil, pois termina desfazendo as utopias. Grato.
    abs
    antonio paulo

  • betinha disse:

    lindo como sempre seu texto, apesar de não ter votado em Dilma torço para que tudo sai bem, que a saude e a educação verdadeira seja praticada,adoro meu País tenho orgulho de ser brasileira e gostaria que a verdade fosse praticada em cada ato mesmo que seja as vezes imcopreendidos, vamos torce, estarei sempre na esperança de poder está presente ainda aqui para poder acreditar que enfim apenderão o que é preciso ser feito pelo povo brasileiro. Quem tem oconhecimento saberá fazer as outras coisas acontecerem Betinha

  • Betinha

    A torcida é de todos. Que a solidariedade seja o arcanjo da sociedade.
    bjos
    antonio paulo

 

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