Marcuse:O sinal fechado e descolorido

As cores expressam sentimentos. Nada se inventa que não tenha significado. Há necessidade de mudanças, de viver possibilidades, abrir portas e refazer moradias.Quando a sociedade assume projetos conservadores, os olhares para o passado se reforçam e busca-se o negativo. Cria-se uma tribunal de condenações e se deturpam experiências. O mundo parece ser escravo de uma única sentença. Os senhores do poder não sossegam. Planejam permanências, não se inquietam com as exclusões, jogam para uma plateia que aplaude violências e renega inquietações. O ambiente da razão instrumental se alarga e produz desesperos.

O sinal se fecha, porque as regras atendem aos privilégios. É comum desfiar as memórias, ativar as mídias com propagandas e divulgações de religiões obcecadas pelos dízimos. O lugar da política se estreita, expulsa o coletivo, consagra as minorias. Coloniza-se a mente, firmam-se massificações, se proclama a força de ideias preconceituosas. Volta-se a um passado que não dialoga, que não se entrelaça com o novo, que sugere trocas e interesses sempre mesquinhos. Há quem sinta saudades das histerias nazistas e sacudam fora as inquietudes iniciais do cristianismo.

A história expõe que há espaços para abrir portas, mas quem se sente saudoso dos fascismos não querem pactos. Deseja anular as diferenças e consolidar dominações. É difícil manter o som de ruídos, quando a resposta é a violência. Quem compõe hinos de opressão estimula o cansaço da imaginação, quebra os espelhos da invenção e se justifica expandindo a censura para evitar saídas.Adotam a arquitetura dos abismos, preferem abandonar as utopias, desenhando os fantasmas dos pesadelos e transforma a punição numa forma de convivência.

Dispensam-se as cores. Prefere-se a melancolia, apaga-se o olhar ativo, vendem-se a monotonia e o fetiche da segurança. Ouvimos discursos milicianos e descobrimos que as inquisições não se foram, portanto as intrigas continuam, a sociedade se militariza e os projetos sucumbem diante dos autoritarismo vigilantes. A história oficial assume as narrativas, desmonta a crítica, menospreza pedagogias coletivas. Freud identificaria a vitória da pulsão de morte. Marcuse lamentaria a morte de Eros e a mesmice da vitrine idiotizante. A sociedade unidimensional sufoca e desama.O capitalismo festeja suas astúcias nada solidárias. administra sua razão instrumental, nos faz lembrar de quem não desistiu de suspeitar das suas opressões.

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