Meu caminho na história

Quando era pequeno não pensava que seria historiador. Tinha base numa família rural, muito ligado à cana-de-açúcar. Todos afetivos, muita conversa e aquela atmosfera diferente das esquisitices de hoje. Mas o tempo passou, terminei fazendo graduação em Direito. Não me satisfazia com as discussões jurídicas. Comecei , com 20 anos, a ensinar História,Entrosei-me. E segui adiante. Gostava do contacto com o ambiente estudantil e tinha boas relações.

Depois, veio as aventuras mais densas.Fiz Mestrado, entrei na UFPE, continuei satisfeito, analisando as histórias, com diálogos reflexivos e aprendendo com os professores mais experientes. Lia história política, dedicava-se à pesquisa sobre movimento operário. Veio a formação posterior. Fiz doutorado e pós- doutorado. Não tenho do que reclamar. Saudades de muita gente e do querer-bem que circulava. Nunca fui cativado pela vaidade, porém é importante não cair na monotonia de autores idolatrados.

Entrei noutro labirinto do saber. Apaixonei-me por outras imaginações. Sempre, curti a escrita e não abandonei a literatura depois dos 12 anos. Mais tarde, viajei pelos textos freudianos. Digo que ensino História da Afetividade. Nunca frequentei textos que se eternizam com verdades quase sagradas. Nada como a a renovação, os desafios, sem se separar dos antigos mitos gregos. Minha aula cultiva o debate e a solidariedade. Não tranco a porta e não compreendo quem admite que a seriedade é tudo para quem se inquieta com o saber.

Estou perto de sair da UFPE. Aposto em outras atividades, sem desprezar as conversas, a aprendizagem e as turbulências. Não devemos confundir a história com o destino.Lamento a desigualdade e a exploração.Há enigmas e deuses indecifráveis. O capitalismo mantém sua dominação e concentra privilégios. Condeno a miséria, a corrupção e o cinismo. Seria fundamental desfiar as contradições e não eleger comportamentos autoritários. Despertemos para uma reviravolta, A apatia é doença fatal. Movimente-se.

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2 Comments »

 
  • jailson disse:

    Querido Antonio,
    em 1994 seu caminho generoso permitiu que eu ficasse por perto.
    Lá se vão mais de 25 anos que ando assim, aprendendo com você.
    Por que você fez com Antonio Paulo da Iniciação Científica ao Pós-doc, Jailson? Porque eu o amo.

  • Jaílson

    Que boas recordações! Sempre presentes na vida afetiva.Vamos mantê-las.
    abs

 

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