As dores e as manipulações: Moçambique e outros desgovernos

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Discute-se. Muitos se acham injustiçados com as aposentadorias. Outros querem reajustes, condenam luxos alheios, se alimentam das desgraças de quem está sufocado. Não faltam controvérsias. A vizinhança se aborrece  com as buzinas dos carros, as padarias se enchem de fregueses pouco educados. O cotidiano corre,  as aflições não se esgotam, pois há tempestades violentas. A sociedade  se abastece com as competições e as farsas são constantes. Quase não se fala, nas secas, nos desequilíbrios ecológicos, nos exílios  dos refugiados. Há escapes, seduções, magazines incentivando o desperdício.

Acontecem desastres,  verdadeiros genocídios. Lembram-se das barragens da Vale? A falta de compromisso com a saúde e a educação é visível. Não se trata de acaso.São estratégias políticas montadas para desfazer resistências  ou fabricar impossibilidades. Não se domina sem uma concepção de mundo, sem buscar convencimentos. A modernização promete paraísos e atiça a especulação imobiliária. Consegue adeptos, fanatiza grupos, contrata especialistas em manipulação. A  profissionalização atinge a sociedade e traz também perversões. As solidariedades se apagam, cortam-se as ameças de rebeldia, querem uma ordem congelada.

As discriminações continuam ativando argumentos. Israel bombardeia a Palestina, Moçambique agoniza. Mourão opina sobre o salário mínimo. Há protestos, mas se selecionam as notícias. Minimizam certos absurdos, pois o desmoronamento de qualquer igualdade parece ser comum. Guedes tripudia da miséria e Moro é contraditório com sutilezas. Uma grande rede de comunicação alimenta os disfarces e constrói máscaras. Fala-se do supérfluo, as dívidas das empresas não são questionadas. Manipula-se com insistentes novelas e manchetes articuladas para enganar.Há quem vibre com as lembranças de 1964, Uma parte expressiva da população busca salvar ídolos, curte o passado, mergulhada numa aguda falta de lucidez.

Para aonde vai  uma sociedade que se não se toca  com as agressões , nem olha para sofrimentos do outros, apenas contempla o núcleo do seu individualismo. Não é discurso de lamentação, porém é precioso ter cuidado. Tudo não foge do caos por acaso. Demolir o passado traz angústias que podem demorar a aparecer. Muitos nomeiam culpados, não se observam como sujeitos. Querem vitrine e lutam para não deixá-la. O preço da contradição é alto, a mais-valia dos cargos é sedutora. Quando surgem as eleições as hipocrisias se denunciam e muitos lamentam o vazio  que a vaidade alimentou para garantir seus poderes. O oportunismo não descansa. engana.

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