Na sombra das tristezas e das saudades

Não há como fugir da imaginação e estreitar as saudades,

elas não possuem formas definidas, nem tampouco calendários firmados.

Conversam com sentimentos, arrastam lacunas, preocupam-se com a finitude.

Há na saudade uma parceria com a tristeza, uma afirmação de desencanto.

A saudade não é ausência, abstração romântica, labirinto de poetas.

Ela multiplica as gravuras dos corpos e silencia a arrogância,

não apaga o tempo, mas o deixa com pesos desiguais e incômodos.

Há nos anúncios da memória, luzes e sombras sem a nitidez que elucida.

Cada um rascunha no sentimento a tristeza múltipla e inesperada,

com disfarces que nunca podem revelar a estratégia do fim.

O espelho da palavra brinca com as distâncias, não quantifica a perda,

estica as imagens para que os encantos ressurjam, desfazendo a desistência.

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