Quem se lembra dos Estados Unidos nos anos 1960?

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Sou atento , não fico viajando nas coisas do passado de forma fantasiosa. Mas há décadas que me fascinam. Não cesso de retomá-las e sentir a sociedade pulsando. Nada está encerrado, a história não morreu e o mundo se balança. No entanto, o pessimismo é grande. Volto para os anos 1960 que tanto admiro. A leitura do romance de Paul Auster, 4321, me animou a atiçar a memória. Lembro-me de vivências, dos cercos da ditadura militar, das conversas e dos medos. Apesar de tudo, as rebeldias aconteciam e me faziam sonhar, mesmo com os atos institucionais violentos.

Fujo da Brasil. Entro no clima do romance de Auster. Analiso os Estado Unidos, o banho de sangue, muitas vezes, esquecido. As guerras civis frequentes, a luta contra o preconceito racial, o ódio dos conservadores, as revoltas estudantis. Os norte-americanos dividiram-se, a rejeição ao capitalismo possuía adeptos. Kennedy se foi. os negros reagiam aos ataques do governo. A sociedade parecia se dissolver, tensa e incerta. É interessante como essa memória é riscada, como abandonam as ideias da contracultura, sacodem no lixo  tanta luta e alternativas políticas!

Penso. A memória estimula o conhecimento das diferenças. Lá estavam os romanos conquistando o mundo, lá estavam os fascistas fazendo aliança com os católicos, lá estavam as tristezas dos exilados por perseguições constantes. Quando nos fixamos no presente, justificamos a necessidade de desprezar histórias velhas, caímos num abismo de uma alienação perigosa. Estou focado nos Estados Unidos. Recordo-me de Luther King, dos protestos das mulheres, da busca de comportamentos novos, da experiência com drogas, dos ruídos de Woodstock.

Quem celebra paraísos termina neutralizando suas emoções. A questão da democracia está além das idas e vindas de um só país. Nada tem quietude, nem a massificação idiotiza para sempre. Olhe as brechas. O Vietnã merece longas páginas. A sociedade norte-americana compreendeu a ameça, sentiu a derrota. fragilizou-se. Foram anos de desconsolo, de dúvidas, de atrocidades. Portanto, o agora é fundamental, porém cuidado com as desconexões. Há aprendizados, migrações, descontroles,fomes, dissonâncias. Não se engane. A coragem não dorme, se agita.

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1 Comment »

 
  • Rivelynno disse:

    …é, conhecer o passado é ter muitas respostas sobre a organização das coisas, das pessoas, das regras, é entender que nem sempre tudo foi igual, é ter respostas para situações que, muitas vezes, já foram vivenciadas e que ganharam novas molduras, novos contextos… Estudar história ainda é uma prática libertária, ainda é ter um olhar sobre inquietudes humanas complexas e poder descobrir formas de resistências possíveis, desconstruções possíveis diante de modelos opressores supostamente intransponíveis…

 

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