Não desconheça a história, nem a mentira

Estamos numa travessia que parece não ter fim. Não é primeira vez. Adão e Eva não ficaram acomodados quando desobedeceram as ordens divinas. A questão do pecado e da culpa é antiga, já vive dias de ruínas e desacertos. No entanto, não acredite que as religiões estão fulminadas.Elas prosseguem buscando adeptos e escolhendo salvações. São ardilosas, não optam mais por meditações. Gostam de ruídos, televisões, templos ricos, política e condenar os que defendem mudanças nos costumes. Não sei que transformações acontecerão. Vejo abismos, não consigo construir utopias e os sonhos estão de férias. Uma confusão nos valores distorce sentimentos. As raivas e as violências não cessam.

Nunca esquecer os balanços da memória é fundamental. O progresso não é visível. Os conhecimentos esclarecem, mas também consagram dominações. Preconceitos são retomados e ordens são revistas. Por isso desconfie da ideia que o tempo é linear e existe uma escada que nos leva aos céus. Não deixe de lembra que há pessoas que possuem bilhões e outras que se perdem nas ruas da cidade. Somos animais sociais. É sempre importante resistir ou mostrar que a sociabilidade necessita de convivência, de afeto, de olhares coletivos. Construir a história é abrir possibilidade de reforçar o coletivo e não desejar destruir culturas.

Renegue o destino. Não temos vida determinada por um tempo exato. Apesar dos descontroles, não há uma natureza fixa. Há identidades que se multiplicam, que dialogam com o futuro e o passado. Vamos inventando, mergulhados em surpresas. A tragédia se move, os exílios são comuns, porém não custa avistar uma luz que parece tardia. Talvez, a história seja um grande jogo ou uma brincadeira. Quem sabe? As dúvidas não se vão. Descartes, Freud, Hannah, Marcuse, Deleuze e tantos outros especularam. A resposta que sossega navega por mares que anônimos.

A sensação de perda não é novidade. Aparecem acrobacias, os cansaços se escondem, mas de repente o fogo volta agitando os desejos. Os desequilíbrios nos tocam e nos acendem. A história nos acompanha, somos seus mensageiros e seus escribas. Portanto, mesmo que o desespero se espante, não custa refletir, imaginar que os fracassos não estão consumados. Por que se calar e achar que o fim está próximo? O desejo de gritar limpa o coração e solta as tristezas. As incertezas vestem as travessias. As perguntas trazem aflições. Será que a história não foi assim desde seus primórdios? Não se engane,a mentira é um produto da cultura, não voa sozinha.

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