Não despreze as histórias

 

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A palavra história não cessa de aparecer e de motivar polêmicas. Ela tem um lugar na academia, mas corre solta nas conversas cotidianas. Todos possuem uma história para contar. As mentiras e as verdades se misturam de forma radical. Há quem se choque e outros se divertem. O drama e a comédia atraem, deixam os contadores entusiasmados. Quem conta alarga as experiências, costura tempos, viaja. A emoção traz intimidade e comunhões. As plateias se formam e se confundem. A homogeneidade se fragmenta, pois a luta é sempre traiçoeira.

Mas a história na academia veste outras fantasias. Há regras, metodologias, vaidades. As fontes são destacadas. Os jornais são lidos para se olhar o passado e os acervos preservados para que memória fixe espaços. As disputas pelas verdades provocam intrigam. Os foulcautianos desprezam marxistas, os freudianos se queixam das mistificações religiosas e a desconstrução abala os donos de seculares tradições. Seria um erro consagrar uma única história.

Não dá para viver sacudindo no lixo as aventuras. Difícil é legitimá-las. Quais são as nossas necessidades básicas? Quem inventou as leis mais eficazes? Não existe uma forma de garantir as certezas. O acaso dança suas valsas e perturba os inseguros. Criam-se as ambiguidades. O bem e o mal atravessa caminhos, pois as sociedades cultivam dualismos. O mundo é múltiplos, mas nem todos contemplam as mesmas coisas. Há luzes e sombras.

Hoje, a confusão aumenta. No capitalismo, a desigualdade se espraia, expande a exploração. Mesmo as academias o canto da produção seduz. Vale competir, destruir os inimigos com reflexões e manobras burocráticas. O poder não sobrevive sem o saber. É preciso argumentos, ressuscitar Locke, elogiar Maquiavel, salvar as orações e desconfiar de Nietzsche. O capitalismo agita um moda global. O conhecimento é uma mercadoria valiosa, Alia-se com a paz e a guerra. O desafio se infiltra na ousadia, o virtual ataca quem vacila.

O historiador está, portanto, na beira do abismo. Quer se profissionalizar em busca de bons lugares e respeito social. A complexidade não sossega e desmorona teorias que pareciam indispensáveis. Os positivistas adoecem, Lacan reinventou a psicanálise, a sensibilidade pede passagem para questionar a razão instrumental. Depois que o conceito de inconsciente tocou o humano, muitas mudanças aconteceram. Os tempos se entrelaçaram. Ficaram pedras volumosas na porta do labirintos

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