Não despreze o fetiche da mercadoria

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Há muita sedução. Não somos distantes dos encantamentos.Eles ganham formas históricas, voam, se projetam no infinito. Seria cruel cultivar apenas aridez. As lamentações nos atacam, mas também partem. A vida se desloca com rapidez quando a sociedade se enche de ilusões. No mundo atual, não faltam novidades e deslumbramentos. Muitas tecnologias, mensagens rápidas, impulsos atravessados por celebrações contínuas. O capitalismo se move, precisa de acumular e não deixa que o superficial morra. Poucos conseguem compreender que as manipulações envolvem e derrubam reflexões.

Muitas mercadorias, trocas agilizadas, exploração das redes socais, modas cativantes. O fetiche insiste em se aprimorar. Seus espaços são amplos. Invade os jornais, corrompe saberes, enaltece o vazio. Há teoria para argumentar e multiplicar as necessidades. Portanto, fugir do fetiche é uma façanha. Ele possui disfarces complexos, faz festas consagrarem marcas e ditos. Somos senhores de quê? A propaganda se infiltra no desejo e sacode o que parecia sepultado. A memória balança diante de nostalgias fabricadas. Globaliza-se a insensatez.

Se no futuro haverá mudanças não se pode adivinhar. O fetiche é poderoso, a grana tem magia, as armadilhas não cessam. Armados de tantas enganações, vemos os afetos se transformarem em coisas. O Eros entre no colapso cotidiano. As ousadias do último modelo do celular inquieta o cartão de crédito. Somos vitrines ambulantes, estimulamos os simulacros, nem nos lembramos das desigualdades, do lixo que corrói as avenidas, das intrigas dos vizinhos arrogante. Marx não errou quando alertou para os feitiços. Eles acompanham a história.

O reino do capital não assumirá apatias ou recessos que o prejudique. Seus desenhos fixam valores que se assanham nas mercadorias. É esperto.Qual a cor mais esfuziante? Conhece o restaurante da esquina? Compareceu ao lançamento do novo automóvel da Fiat? Não faltam apelos. Há quem resista, se esconda lendo um bom romance de Auster. Outros não perdem as ondas. Se a inutilidade se propaga é uma questão de escolha. A sociedade preenche-se se vestindo com as mercadorias de destaque. O ter é forte, possui conteúdos, consolidam disputas. Todos querem ganhar. Daí, a complexidade que assusta e recomenda uma terapia profunda. Não se recuse, porém, a olhar a sua imagem.

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