Não esqueça sua história e sua ousadia

O cerco das informações não é acidental. Ele tem seus objetivos e refaz, constantemente, os valores do mundo das mercadorias. Toda atenção é pouca. Os anúncios trazem dizeres que ficam colados na memória. Consagram-se como verdades cotidianas. É a conexão direta que não dispensa muito esforço. O humor é refinado. Não é surpresa. O capitalismo tem que mover sua produção e divulgar seus fascínios. Há admiradores persistentes e animados. O perigo é que o envolvimento não é crítico. Nada é feito só para tornar a vida mais leve e viajar no tapete mágico.

Os poderes da dominação se lançam com sedes secretas, mas eficazes. Portanto, comentamos tanto o que está fora de nós que desprezamos emoções que nos conduzem na intimidade. Uma atitude ingênua, às vezes, que adquire uma permanência nas conversas. Tomamos sustos com as aventuras eleitas pela imprensa e naufragamos nos mares internos. Carregar novidades nos faz ganhar destaque nos colóquios sociais. Não é a aparência que promove sucesso?  Não é preciso aprimorar a inteligência basta saber reproduzir e soltar o riso que não lhe pertence. As identidades sempre se multiplicam. Elas têm rostos e máscaras. procuram espelhos, festeja êxitos na acumulação.

O movimento é grande, porém não há justificativas para tanto adormecimento ou quem seduz concentra magias impenetráveis? As histórias circulam, não poderia ser diferente. Elas devem, no entanto, articular-se com o que foi vivido. Quando quebramos o deslocamento das memórias, o risco de perder-se é imenso. Está na história é ousar. Exaltamos sonhos, definimos felicidades, nos confundimos com as coisas que estão na vitrine. Tudo isso apaga contrariedades e descarta o desejo de não se curvar diante de tantas imagens programadas.

Se a aldeia global nos aproxima de culturas diferentes, não dá para vê-las, apenas, como exotismos. Quando nos ligamos na história não sacudimos fora as experiências, mas as socializamos buscando trilhas nunca percorridas. Quem engana não é indestrutível. Há fragilidade. O labirinto da grana possui suas idealizações, sofistica medos, dificulta convivências. Há distâncias entre as situações, porém os toques de semelhança atravessam séculos. Não delire com as informações, nem se sinta um porta-voz dos noticiários.

Observe sua história e compreenda as imagens que atraem e traçam seu estar no mundo.Olhar o outro não é fugir de si. As identidades precisam de contrapontos. As massificações totalitárias arrastam culpas, prometem salvações, firmam-se como mensageiras de divindades. As religiões dialogam com a política e usam seus artifícios. Estamos na era do profissionalismo utilitário. Se a história que está sendo curtida pela maioria merece seus encantamentos, dê uma analisada no seu cotidiano.

Não esqueça que o estudo do passado faz parte dos conhecimento mínimos. Não adiantam livros, teorias, pesquisas, contudo, se  o saber se reduz a discussões acadêmicas brilhantes e passividade das exibições. O mundo do espetáculo diverte e aprisiona. Não custa um pouco de sossego. Qual o meu território, até posso onde esticá-lo? Quem não pergunta desconhece as possibilidades da história e nunca desconfia de que há quedas que oprimem e outras que sacodem a apatia.

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