Não há silêncio definitivo na aldeia global

Bento XVI não desistiu da renúncia. Nem sei se poderia desistir. Há incertezas persistentes na Igreja Católica. Ela precisaria de mudanças radicais, para recuperar a credibilidade perdida. No entanto, o jogo de poder ataca também as religiões. Fazem ruídos, relativizam crenças, disputam lucros. O envolvimento das instiutições com as aventuras do capitalismo é antiga. Não há como pensar diferente. O sagrado se mistura com o profano. Quem supõe generosidades absolutas desconhece as rotas da história. As religiões comprometem-se com as ambições, com os projetos dos governos, com as artimanhas das TVs, com as seduções dos partidos políticos. Portanto, as frustrações se acumulam e a ética não consegue muito espaço num mundo de paraísos e orações.

O tempo passa e barbárie, lembrando Benjamin, não se afasta da cultura. Há quem não acredite em fronteiras entre a verdade e mentira. As sociedades não constroem sua convivência sem estimular negócios com graus refinados de esperteza. Existem máscaras preciosas e não é incomum transformações em discursos, sem arrependimentos. Quem se coloca no poder central não abandona o delírio. Querem o máximo, intimidam e exigem admiração. Sempre foi assim? Não há como socializar, atiçar a solidariedade? Se não se fabricassem saídas a apatia desfazia o ânimo. Os ruídos não exprimem, necessariamente, sinais de rebeldia. São usados para permitir o silêncio e a reflexão.

Até mesmo o vocabulário cotidiano ganha singularidades. A violência não da pauta da imprensa. É interessante que muito se fala de crime organizado e torcida organizada. Será que não se formam também grupos organizados com o objetivo de reclamar e e desfiar o manto da corrupção? Percebe-se uma insegurança. Na política, predomina o exibicionismo. Nada de cuidar da manutenção das escolas, dos hospitais. O importante é espalhar novidades. O objetivo é iludir cinicamente. Mas a seca não se foi, se mantém e mata. Falta água, sobram seminários para lançar candidatos e preservar minorias.

Tudo muito próximo engana e aumento o fogo da propaganda. Nunca apareceram tanto socialistas ou defensores da ecologia. O verde é a cor da moda. Há pergunta que incomoda : o que é socialismo? É debate complexo e não produz encontros. É melhor reforçar a sigla e adivinhar que o futuro trará benefícios. O individualismo invade os planejamentos. Há pressa e cuidado em preparar a sepultura dos outros. Bento XVI, na sua santidade, observou que o balanço das vaidades cria síndromes terríveis. Ele é um bom exemplo? Merece a exaltação ou mostrou que a chave da porta está perdida?

Aqueles que se banham nas águas do desenvolvimentismo não se cansam. Dançam todos os ritmos e possuem milhões de amigos. Não sei como suportam tantas tensões. Pouco se importam com a história. Curtem a diversão com quebra-cabeças simples, mas que tragam resultados. Tiririca está cheio de ser deputado. Não tem o fôlego de Sarney. A decepção tomou conta do seu cotidiano. Talvez, nem recorde que  teve uma votação extraordinária. Os estranhamentos se multiplicam, pois as novidades garantem audiências. É precioso mover-se para não cair na rede dos espetáculos egocêntricos.

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