Não se assuste com as contradições e os disfarces

As palavras correm atrás dos fatos. Muita coisa acontecendo, nunca de uma maneira linear, provoca surpresas e dificuldades. Há um envelhecimento precoce dos conhecimentos. Especialistas sentem seus saberes desmontados. Surgem novidades que deslocam hierarquias de poder. As escolas não conseguem dar conta do mundo. Ficam assustadas com as perguntas de seus alunos e ou mesmo a apatia de muitos diante de didáticas desestimulantes. Não se trata de buscar tecnologias de ponta, mas, sobretudo, de aguçar as sensibilidades. A compulsão ao trabalho e o elogio ao sucesso podem ser desnorteantes. O excesso de objetividade anula o diálogo afetivo e a infantilização derruba responsabilidades e autonomias.

As idades biológicas nem sempre correspondem às idades afetivas. As experiências precisam ser ouvidas, os sentimentos colocados, as redes sociais alimentadas não, apenas, com fofocas ou disputas, mas também com polêmicas e debates sobre os desfazeres da sociedade. Não precisa muito esforço para observar as contradições. Elas usam disfarces. Não há poder transparente. Lembre-se de Hobbes e Maquiavel ou dos bons romances como Germinal de Émile Zola. O fortalecimento da complexidade social traz perplexidade. As teorias podem alimentar discussões acadêmicas, porém passarem distantes do cotidiano e das amarguras mais comuns. Daí, os choques e as frustrações, os descontroles e as insônias.

A imprensa tem anunciado, com insistência, que há um caos no trânsito das grandes cidades. Renovam-se os vocabulários de análises e as estatísticas. Tudo é veloz, como manda o capitalismo dominante. Portanto, o espaço do esquecimento se estende sutilmente. Um perigo para quem se movimenta refazendo a crítica e de olho nas máscaras de controle. Muitas exaltações  se fizeram ao fôlego do Brasil diante das crises que assolaram a vida econômica. Muitas comparações são feitas. Os atuais impasses europeus são ressaltados. Lá está a Grécia sufocada, ameaçada pela pressão financeira e má vontade de certos governantes.

As lições históricas existem, podem ser incorporadas ou desprezadas. No auge da euforia brasileira, a compra de carros e motos foi avassaladora. O crédito multiplicou-se  e as ruas assistiram ao desfile de novos modelos. As vaidades se refizeram nas possibilidades de adquirir bens e mostrar as astúcias dos celulares. Máquinas inteligentes nem sempre conduzem, com serenidade, seus possuidores. Muitas vezes, os tornam idiotizados ou paralisados, impedindo o fluir da imaginação. No entanto, os problemas se configuram de forma drástica. Os acidentes, no trânsito, ocasionam prejuízos constantes ao sistema de saúde. Os hospitais estão repletos. O lamento é geral.

Em pouco tempo, as verdades mudam ou a reflexão se institui? As duas coisas se entrelaçam. Não adianta acumular sem se preocupar com os possíveis desenhos do futuro. O feitiço se volta contra o feiticeiro. Como  há medo de penetrar-se nos labirintos, a sociedade se constrói  desviando-se de desmantelos, cuidado de tragédia que poderiam ser evitados. Será que o destino é conviver com contradições ? As respostas são dúbias, pouco alivia o instante que denuncia a falta de perspectiva. Nas reuniões internacionais, a solidariedade não se apresenta. Vale a esperteza, com se a compulsão à repetição diluísse a possibilidade de mudança.

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4 Comments »

 
  • DIÓGENES disse:

    As reflexões se institui de acordo com o debate entre as várias verdades que temos hoje, cada um tem a sua e vai discutir sempre, o que vemos hoje é que o destino não é provocar a verdadeira mudança social e sim sempre estar entrando em contradições, a busca pelo bem coletivo é difícil e a caminhada é longa. A dialética vai estar presente nos diversos momentos da vida. Acredito que as posições tomadas nesses debates e aquele debate que mais significar o real se mostra como um bom caminho para uma possível transformação social.

  • Diógenes

    As diversidades da vida são incontáveis. Daí, a complexidade do mundo.
    abs
    antonio paulo

  • Thiago Augusto disse:

    Pois é, estamos falando aqui de valores, né? Como cultivar as emoções nessa sociedade de excessos de objetividade?

  • Thiago

    As emoções não se ausentam da vida. Elas podem ser reprimidas, mas não banidas. Seria o fim de tudo.
    abs
    antonio

 

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