Não se assuste com o contemporâneo

 

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A contemporaneidade é agitada. Gritou revoluções, prometeu felicidades. O mundo não deu o pulo que se esperava. As frustrações são muitas, os negócios ativos estimulam o cinismo. Há muita coisa sem definição. Isso provoca conflitos, gera uma violência de uma crueldade surpreendente. Nem tudo está podre, mas a desconfiança e os valores apodrecem. Vivemos dos estalos da mídia, dos afetos programados pelas festas comerciais. A imagem contamina nossos olhos. Ficamos tontos, as cores surgem para industrializar ilusões e ornamentar vitrines.

A história terá um fim ou refaremos caminhos? No meio das dúvidas, estamos construindo sociabilidades que ameaçam sinais de solidariedades. O mundo dividido mostra a força da fragilidade. O contemporâneo nos causa estranhezas. Corremos atrás de amores que não passam de paixões descartáveis. O tempo para reflexão é mínimo, portanto como conhecer os mapas que podem nos retirar dos absurdos? Não é sem razão  que a perplexidade é uma senhora soberana que atravessa conclusões. Os diálogos ajudam, contudo criam competições inesperadas. É o risco.

A mitologia grega nunca deve ser esquecida. Sísifo sofre, mas persiste. Narciso se envolve com um individualismo oco. Não pense que o contemporâneo não toca nas tradições. Não pense que as transparências existem de forma concreta. Cada momento é um anúncio de transformação escorregadia. Quando periodizamos a história a certeza merece cuidado. Não se sinta solto, invadindo o universo. Quem não fala em mistério? As religiões não se cansam de arquitetar seus movimentos em busca de milagres. Gostam das estratégias das mídias. Brincam com as inocências.

Os historiadores cometem seus erros. Subestimam os jogos dos tempos. Tenho sempre na cabeça que o presente está entrelaçado com o passado, nem entro nas exibições tecnológicas. Há mercadorias, preços, contrabando, corrupções, políticos de fábricas máscaras. Consertar e compreender a incompletude são desafios. O historiador deve saber que as verdades são traiçoeiras. Não há sequências indiscutíveis, nem geometrias definitivas. Não conte apenas os detalhes. É preciso saber que o mundo nas suas continuidades, não deixa de desenhar contrapontos. Somos trapezistas de um circo em ruínas.

 

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