Não se esconda na solidão da sua história

Quando tudo começou devia haver um azul forte no mundo e poucas cores. Deus era confuso esteticamente. A humanidade o fez aprender muita coisa. Seus diálogos com Picasso ajudaram a fundar uma pós-modernidade celeste e leituras de Auster penetraram na sua solidão eterna. Ficou desconfiado, temeu pelo juízo final. Suas criaturas o desafiavam. Não sabia como curtir tantas invenções. Era diferentes dos deus do Olimpo. Metia-se numa solidão que o atormentava. Sentia-se, muitas vezes, uma criatura. Um mundo tinha uma complexidade que não esperava e um cansaço inesperado.

Viu que as histórias dos humanos se vestiam de fantasias e de máscaras. Apareciam ruínas, depois máquinas escandalosas. A solidão estava solta ou se escondia? Todos contam suas histórias, mas enigmas que não se esgotam. A vida em sociedade é tediosa, sem deixar de trazer riscos e surpresas. Difícil defini-la. A solidão surge como um lugar quase impenetrável. Não é possível contar tudo, nem ninguém tem um poder absoluto.

A racionalidade não é tão precioso. Num mundo, de tantas guerras, ilusões, miséria, epidemias, as perdições confundem. Deus não tinha a cartografia da imaginação. Apesar da sua onipresença, inquietava-se com o pecado original e achava que havia lacunas. Não se esquecia que poderia ser humano. Tremia com as escolhas. Quem significa, quem se explora, quem se ignora? As perguntas são ritos fundamentais. Fantasmas assustadores.

Não é à toa que a história não possui linearidade. Talvez, seja um grande círculo, cheio de repetições, no meio da formas esquisitas. Há muito enganos. Quem se atreveria a retomar as travessuras do tempos. Os esconderijos comungam com as armadilhas. Os traços curvos dominam, junto com o cinzentos do abismos. Não há festa que permaneça, nem sinalização sobre o futuro. Portanto, somos espaços, com histórias amargas e brincadeiras fluentes. Estamos longe de Descartes e Kant.

Jogar palavras no papel não é decifrar. Pode ser a busca de um paraíso ou tentação para fugir das perseguições dos demônios. Há teoria imensas e quem se salve com utopias majestosas. Não sei. Deus não nega as turbulências e os arrependimentos. Quem constrói história sonha com origens, mortes, desmantelos. O desconhecido ainda o possui sua soberania. O esclarecimento é um mito. É na solidão que a história principia. Deus se alivia, quando se sente parecido com as suas criaturas. As semelhanças alegram ou testemunham a incompletude.

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