Nietzsche e as inquietações da história

Nunca faltarão análises polêmicas sobre a história. As incertezas e as instabilidades são tantas que fica difícil ficar distante da perplexidade e acomodar-se em berço esplêndido. Optar pela ausência e apatia é anular-se, destruir-se como sujeito que referenda a autonomia.Tudo isso movimenta a cultura, mas também justifica poderes e produz privilégios. Os interesses mudam de lugares, acirram disputas, promovem crenças. Sonhar a com possibilidade da harmonia faz parte do cotidiano, contudo observamos conflitos e violências que consolidam um cenário caótico e amargo.

Há pessimismos radicais. Há expectativas otimistas. Não existe uma unanimidade, pois estamos cercados de contradições. Como profetizar igualdades? Nem por isso a história se esconde. No meio das diversidades e dos desencontros, as ideias circulam, os inimigos se armam, as afetividades se fragilizam. As inquietações não param, mesmo que sopros de utopias chamem o ânimo para uma conversa. Será que se formou um dimensão trágica na sociabilidade humana? Que possibilidades existem para reinventar as sociabilidades?

As questões lembram Nietzsche que viveu num século de exaltações ao progresso. No entanto, as críticas também se constituíram e o capitalismo sofreu ataques firmes. Sobreviveu, porém, e reformou práticas. Houve quebras de valores, mas o Ocidente mantém suas bases, não se afastou do seu passado greco-romano, nem tampouco do cristianismo. O famoso desenvolvimento tecnológico se ampliou com soberania. Muita coisa foi reafirmada, o conceito de felicidade ganhou outras cores, porém as permanências sempre lembram que os abismos não se foram do meio do caminho. O mundo da exploração não se cansa de assegurar seu lugar.

As reflexões de Nietzsche não se firmaram no século XIX, mas atualmente influenciam e levantam debates sucessivos. Não podemos esquecer de Foucault e seus entrelaçamentos com os dizeres do autor citado. Nietzsche sofreu, durante muito tempo, críticas duras. Procuraram ligá-lo às práticas nazistas e condená-lo ao esquecimento. No entanto,  agitando polêmicas e dissonâncias, ele mostrou inquietações que se consolidaram. Faz parte das andanças rebeldes contemporâneas.

A incompletude da cultura,  o trágico e a mitologia grega, a vontade de poder, o relativismo e os impasses do Ocidente, as luzes e as sombras, o apolíneo e o dionisíaco acendem ideias e observam continuidades e quebras na construção da história. Tudo é marcado pelo inacabado, o feitiço das tecnologia mágicas não conseguiu derrubar antagonismos, nem trazer sossegos. A violência não se retrai, o jogo de interesses se sofistica e niilismo conserva a solidão. Uma leitura de Nietzsche é fundamental para que os tempos não se isolem. Quem pensa que a história é  a consagração mudanças não ver o abismo construído na sua esquina.

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