Nietzsche: os valores apodrecem

 

O mundo globalizado não consegue se livrar das crises constantes e profundas. Não há alternativas para cessar a corrupção e a violência. Elas aparecem e tumultuam. Se a perplexidade se amplia, há também esquecimentos importantes. Nietzsche, no século XIX, fez críticas ao mundo ocidental. Mostrou o apodrecimento dos valores e a falta de transformação para um mundo que restaurasse a coragem e apagasse a hipocrisia. Firmou sua posição, criou adversários, agiu como um profeta. Os valores são históricos e devem ser repensados. O jogo é complexo, pois a ambição está até nos discursos religiosos.

Nietzsche tem sido, atualmente, exaltado por muitos autores. Releram suas reflexões. A grande maioria, no entanto, fascina-se com o capitalismo. Pede espetáculos e se apaixona por mercadorias. Prever mudanças superficiais faz parte de discursos mercadológicos. Há terrorismos, assassinatos gratuitos, diplomacias mesquinhas. Já se abandonou a solidariedade e a liberdade não toca como ideal. Portanto, a globalização ampliou o cinismo, desmontou éticas, exaltou o conforto e o luxo. Um olhar rápido não confere com as propagandas coloridas. A miséria é grande e os refugiados sofrem em territórios hostis.

A retomada de conservadorismo e, ao mesmo, a busca de rever comportamentos criam expectativas. A confusão é geral. As drogas ganham espaço no mercado e as milícias ditam normas. A Igreja Católica perde força, uma parte dos evangélicos reforçam a concentração de riqueza, Há desesperos nas ruas, tensões, medo. Aquelas ideias de decadências possibilitam o fim da utopias. As rebeldias não deixam de existir, mas a repressão funciona com sutileza e o comércio da armas internacional é um feiticeiro.

Desenhar estratégias revolucionárias tornou-se uma ansiedade quase vazia. Os acordos políticos dormem na concentração de poder. A riqueza é de uma minoria. Não houve uma transvalorização. A sociedade é apática quando se trata de fugir do individualismo. A coragem é uma mercadoria rara, o poder de convencimento garante o domínio da aparência. A memória é frágil, o agora constrange os mais lúcidos. A verdade, talvez, exista. O paraíso , ainda, é cogitado, porém a imaginação se abastece de objetos. Será que um campo ruínas invisíveis cerca o mundo?

 

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