Notícias inquietas de um mundo perplexo

  

Viver é reafirmar a sociabilidade. Centrar-se, no individualismo, fazendo de conta que  os outros são acessórios, causa vazios perigosos. A sociedade atual perdeu referências e fabrica outras, para não se afundar num caos geral. As mudanças acontecem, ninguém pode anulá-las, e fixar tradições permanentes. A história possui seus suspiros descontínuos, embora as permanências existam e garantam certa quietude. Olho, sempre, a força da multiplicidade. Há dificuldade em pensar o bem e o mal. Já se foi aquela dualidade radical. Portanto, cabe flexibilizar e não engessar os ritmos do tempo.

Na caminhada pelo contemporâneo, a construção das notícias e de uma sociedade do espetáculo são constantes. Os jornais não estão superados. Eles trazem a diversidade de um mundo que não sossega e se mistura, em todos os cantos. Ordens e transgressões se instituem na gravidez do inesperado. Tomamos sustos, não fugimos dos lamentos, mas há espaço para o divertimento e busca de consertos. Decretar o domínio absoluto do desamparo, significa quebrar de vez a sociabilidade.

Ler os jornais, com atenção, mostra o peso do cotidianos e capacidade de interpretar o humano. Não vou colocar, na balança, as ideias de verdade e mentira. Desejo que a diversidade seja lembrada e os entrelaçamentos conhecidos. As distâncias são, muitas vezes, aparentes. O que sucede, nos países árabes, é algo que repercute e incomoda muitos sábios do Ocidente. Cada dia uma nova ação, uma supresa, um ameaça de ruptura. Quando se anuncia uma parada, uma conciliação, outras praças se enchem de insatisfação e as mensagens voltam a circular criticando os governos.

Análises são feitas, por estudiosos. Mas sobram alguns mistérios. Quem pensa que esgota as espertezas sociais, termina desesperado?  Agora é a China que está se sentindo ameaçada e o violento ditador da Líbia não consegue controlar seus adversários? E as famosas democracias liberais não possuem os seus pecados ? Será que seus governantes não passam por impasses mal resolvidos? A situação do imigrante , na Europa, não parece compatível com ideais de liberdade. Quem sabe se os protestos não abalem os senhores dos poderes mais sutis?

Essas transformações são acompanhadas de desmantelos mais próximos. O comportamento da polícia vem assustando. Torturas, corrupções, brigas internas, desrespeito aos pobres e aos pretos. Não se trata do incomum. No entanto, as práticas violentas se repetem e disfarçam armadilhas autoritárias. Fala-se de crime organizado, da vontade de combatê-lo. Há muita confusão e transparência, apenas, no discurso. Os limites dos territórios, praticamente, desapareceram.

A democracia está moribunda, desde que anunciaram seu nascimento. É uma utopia bem arquitetada. Os políticos festejam seus feitos. Inauguram o vazio, a vitrine da loja de detetives anônimos. Os cinismos se envolvem com os espetáculos. Os espectadores não se ausentam e , muito pouco, se ligam na desmontagem dos afetos. Acreditam que acirrar as competições é dinamizar as relações humanas. As cracolândias se arrumam e as políticas públicas se descuidam. Inventam-se gratuidades, por preguiça e descompromisso. Narciso não precisa de carnaval para redesenhar suas fantasias. Ele está na folia, na comissão de frente. Dali tinha suas razões. A imaginação é vasta.

PS: Mudanças foram feitas na arrumação do blog. Observem, inclusive, nas sugestões de leituras. Espero que gostem.

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1 Comment »

 
  • Geovanni Cabral disse:

    Espetáculo. Talvez seja essa a palavra que mais defina essa leitura e seus múltiplos significados. Estamos inseridos em uma sociedade que pensar, olhar de lado é coisa ditas ultrapassadas. O que importa é seguir em frente, consumir, atingir o topo do sistema que vem corroendo a estrutura social. A sociedade precisa olhar para dentro de si e perceber que tudo está fora da ordem. Onde estão os laços afetivos tão significativos para nossa convivência? Por que essas rupturas e dores que se alastram no mundo árabe? Dizem que no Egito foi a maldição da múmia. Na Tunísia, o desejo de liberdade. Na Líbia, a opressão das tribos por Kadafi. O que vem depois? O novos espetáculos se anuciam? Quantos mortos serão sepultados em nome desta liberdade ou do controle pelas áreas do petróleo? Interssante Antonio Paulo,quanto tocas na questão do imigrante no mundo ocidental. E se os ventos soprarem para essas bandas? Percebe-se que sonhos foram despertos, novos tempos se anunciam. E a sociedade se perdem em seus afetos, solidões, amores e dissabores.

 

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