Notícias, políticas, mercadorias, desamparos

Existem sonhos. É impossível negá-los ou sacudi-los no lixo. A vida seca, sem ilusões, é uma amargura. O balanço dos sentimentos mostra que a homogeneidade é um devaneio. Convivemos com frustrações, desprezos, medos e assim vamos. A subjetividade se forma com complexidades e não dá para decifrar a afirmação de certos desejos. Não deixamos de vacilar, a coragem ajuda a pular as armadilhas. A sociedade multiplica-se, com manipulações, mudanças nos hábitos, conflitos cotidianos, azares e sortes. Há dificuldades na escolha dos valores, embora o cinismo invente alternativa milagrosas. A política se profissionalizou e é território minado. As guerras simbólica reforçam o esquisito da globalização.

Tudo isso anima o vaivém das notícias. Muita gente não compreende que a imprensa convive com um mercado que exige habilidade e astúcia. No mundo dos negócios a ingenuidade se despedaça. Inventa-se para obter lucros. A ética se quebra e o jogo dos boatos invade as conversas. Não vejo como cessar essa heterogeneidade, a fabricação de intrigas, a competição desatinada. Nem tudo é desacerto, mas pensar que há progressos, que os afetos se estreitam, que a história tem um sentido definido, é uma extravagância. O desgoverno não atinge , apenas, o social. dentro de nós as dúvidas se consolidam. Como anda o consumo das drogas? Por que as religiões desunem e assumem violências sutis ou abertas?

A cultura nunca teve um espaço de harmonia, um sossego que alimentasse as chamadas virtudes. A tendência, com o aumento da população, não é de dialogar. A ordem é vencer, desafiar até as ideias de Maquiavel. O poder exerce o fascínio, talvez maior do que o movimento de bilhões e as artimanhas das bolsas de valores. A grana se articula com as hierarquias, porém não está solitária. Ela move especialistas, cultiva os gênios do mal com dizem os mais assustados. A sucessão de desenganos, as euforias repentinas, os divertimentos diários produzem um mundo de muitos problemas. Há quem se sustente criando soluções, estendendo malícias e ocupando cargos.Estamos escorregando, brincamos, sentimos que exagerar no desespero é aprofundar o caos.

Conhecer é, também, comparar. Nem sempre o conhecimento desfaz os conflitos ou alarga os caminhos. Arte traz transcendências e acelerações. Sublimamos. Freud apontou contradições, salientou desconfianças. Hoje, as terapias estão em cada esquina. Exportamos e importamos produtos e técnicas que podem garantir anúncios de felicidades. No entanto, as farmácias estão cheias e as ambições se renovam.Enquanto a história se constituir um amplo espaço de mercadorias, a fragmentação fortalece o desamparo. Adoecemos, semeamos vírus.Sem olhar para os outros, o inferno nos consome. Tropeçamos nas pequenas pedras das calçadas esburacadas e cheias de gente que não se falam.

You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

Deixe uma resposta

XHTML: You can use these tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>