O amor e o corpo: vida

Se o amor estranha o movimento do corpo,

o afeto se desfaz e os fragmentos se encolhem nervosos.

A rapidez da vida está na gravidez do sonho impossível.

O desejo esconde o infinito anônimo, a singularidade das estrelas solitárias.

Não deixe que o amor risque o impossível, compreenda-se e fuja,

nem que as travessias sejam labirintos sem espelhos, desengane-se e corra.

Vista-se do estranho, ironize o absoluto, disfarce-se com as astúcias dos anjos.

Entre no corpo esquecendo-se o poder do sonho azul,

não silencie mas conduza o ruído para o escuro dos quartos vazios.

As portas estão abetas, as palavras brigam por significados instáveis,

não seja o pássaro que se isolou na gaiola e destruiu seu mundo.

Desadormeça com olhos fixos nas janelas que recebem a luz,

há sempre uma história que não foi vivida e contada.

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1 Comment »

 
  • José disse:

    Amor não pede licença
    Nem necessita convite
    Se a entrega só é feita
    Quando o outro ser permite
    Não pede a lei do retorno
    Para passar do limite
    (Nogueira Netto)

 

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