O amor mora no incomum e se distrai no encantamento anônimo

 

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Mempo Giardinelli escreveu belos livros. Argentino, perseguido pelos militares, soube colocar suas dores na escrita. Conheci sua obra no século passado, por volta de 1980. Li seu apaixonante O Céu em minhas mãos. Fique extasiado. O coração batia com o ruído da travessia contada pelo autor. A escrita de Mempo é livre, com uma fluidez sedutora. Seu erotismo estonteante, inquieta, coloca nostalgia de tesões inesquecíveis. Narra os trapézios do amor que tem todas a cores e formas, mas maltrata e pergunta, não sossega e atrai controvérsias sobre o azul da vida.  Portanto, o fôlego é grande e desconfiado. Aurora, a musa incomum, termina me conquistando como uma esfinge rara.

Revi Mempo. Dessa vez, socializado na sala de aula da pós-graduação, depois de uma árdua leitura anterior sobre depressão. Tratamento de choque. O curso se centrava nas conversa sobre o afeto e o belo. Todos e todas se desenhavam nas suas imaginações. Valeu a multiplicidade e o empenho em fugir do cansaço acadêmico das estrelas organizadas e ditas produtivas. Convivemos com Todorov, Calvino, Maria Rita, Visconti.. Desvendamos algumas profecias e mergulhamos nos sentimento de cada instante. Nada de querer pesos, nem amostrações tão presentes nos territória da universidade.

Mempo trouxe surpresas e decretou ataque em amores de leitores agoniados. Adorei meu reencontro. Procurei curtir, sem preconceitos cada suspiro da narrativa. Não menosprezei as fantasias e embarquei nos delírios de suas buscas. Não sacudi fora a emoção. Lembrei-me de damas e fossas agarradas nas memória. Perdões, poeiras, desagravos, desejo ardentes, fragilidades flutuantes. Para que assumir a palidez e descrever a vida como algo desmobilizador? A palavra ajuda a esquentar o corpo, denuncia arrepios e frustrações. Mempo enfeitiçou, sem deixar e contar amarguras e tolices do seu tempo,

É sempre uma viagem para além da mediocridade das redes socais vazias que muitos cultivam para esconder a solidão. O ritmo de cada um se entrega a alucinações. Há silêncios que compõem sonhos e imaginações que nos empurram para visões do paraíso. As ilusões não se afastam da cultura e inventam salvações inusitadas. Tocar o céu com as mãos, com afirmou Mempo, não garante a  eternidade do prazer, porém leva para subjetividades diferentes e labirintos com arquitetura e espelhos deslumbrantes, Sou grato a Mempo. Na tesão e na tensão há riscos. As lacunas não saem das histórias. Quem me perdeu ou quem perdi possui moradia nas minhas divagações. Nua ou vestida, acima do lugar banal, a vida não cede aos desvarios programados. Ela se despertence  nas fugas ousadas.

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2 Comments »

 
  • ANA CLAUDIA DANTAS CAVALCANTI disse:

    A configuração contemporânea leva, a alguns, para relacionamento virtual como forma de companhia para cada solidão construída e/ou instalada. É possível que muitos transformem tais momentos em vãs momentos. É possível que alucinações sejam reflexo de uma sã edificação entre subjetividades que frequentam nuvens de moradia temporária até cair a ilusão e viverem a realidade!

  • Ana

    Vida cheia de complexidade que no deixam perplexos.Está difícil flutuar..
    abs
    antonio

 

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