O amor não se costura, se borda

Ninguém consegue fechar uma definição para o amor. Adão e Eva deviam ter amplas discussões, Freud se atormentava com os complexos cotidianos, Nietzsche vivia especulando, Édipo simbolizou histórias de perplexidades. Não há registro de silêncios. Leia Mia Couto, Gabriel, Rousseau, Camus, Paul Auster. Quem se omite? Quem se conecta? Quem se agonia? Talvez, haja mais divergências soltas do que harmonias construídas. Não faltam contradições, porém surgem reflexões, desejos, sonhos, futuros. O amor não cessa de provocar e de inquietar. É o território das magias mais impossíveis.

Necessitamos de acender a sociabilidade. Como não conviver? Como negar os outros? Os espelhos se espalham pelo mundo. Quem sabe se não existe o par perfeito ou se trata de mais uma ilusão na cultura da incompletude? A história traça suas linhas, alguém remenda tecidos esfarrapados, alguém borda um lençol com figuras vermelhas. O encanto se localiza no paraíso das buscas de riquezas solitárias? Quem se envolve com a sabedoria e compreende que todos possuem limites? A perversidade se converte ou é um armadilha de pedras sepultadas no inconsciente?

O amor não ignora que as lacunas constituem cada ser. Não há como se sentir senhor do cosmos, quando as sociedades não superam desigualdades e estimulam intrigas. O amor é bordado, arquiteta a solidariedade. Não é possível acreditar no outro, se a desconfiança se torna a ordem do mundo. Somos ambiguidades. Iguais e diferentes. Há fascínios e há perdas. As descontinuidades nos alertam para complexidade das histórias que inventam cada respirar. Lembre-se de Italo Calvino, do tango sedutor de Piazzolla.

Não adiante estimular dificuldades e soltar as inexistência. Se a palavra circula, dialoga, institui, vamos investigar, atravessar superficialidades, não se descuidar. As incertezas não justificam omissões. Não haverá moradias com portas totalmente fechadas. As fechaduras não são eternas e as chaves se perdem nos oceanos. Não se fixe nas imagens de labirintos imutáveis. Observe o pós-moderno e o desencontro das teorias. Identificou suas singularidades? Será que Deus é poderoso ou se sente pecador? Não esqueça de aprender a bordar e a vestir uma camisa colorida que se apaixonará pelo azul de corpo desconhecido. O trapézio não está apenas no circo.

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