Hannah Arendt e o balanço da agonia política

 

As análises políticas de Hannah não estão fora do tempo atual. Elas possuem a profundidade que as inúmeras informações que recebemos não conseguem chegar perto. Ela viveu tempos sombrios e soube articular as culturas, fazendo leituras especiais e não fugiu dos mistérios de santo Agostinho. Desnudou o totalitarismo e entrou em debates que feriram sua alma. Seus textos nos atraem, quando atravessamos um momento de vazio dos espetáculos da mídia. Hannah valorizou a liberdade, a ação humana e suas andanças surpreendentes. Suas leituras dos conceitos de história, desde Antiguidade, quebra preconceitos e dialoga com a crítica à modernidade.Observou no crescimento das multidões um sinal de solidão e desamparo.

Não há muita reflexão, quando o interesse se volta para o consumo do descartável. Quem aposta no fim das farsas e das ousadias negativas? As imagens delirantes procuram seu lugar. Hannah pertence ao mundo das argumentações persistentes que não temem o ir e vir da política.Ficamos, atualmente, na perplexidade, embora alguns continuem com certezas e em estado de guerra interior. O difícil é saber por onde anda as confianças, se as leis valem ou dependem do humor dos juristas. O cerco é grande, as opiniões se largam pela sociedade seguidas de infantilizações crescentes. Estão fragilizando as instituições, construindo uma paralisia fatal. Será que a vacina  foi encomendada?

Cunha, Maranhão, Renan formam um trio afinado? O que entusiasma é que tudo é transmitido ao vivo.Muitos nem percebem que as mentiras desfilam. Quem é capaz de decifrar certos argumentos jurídicos? Quem não se assusta com certos discursos? Sobra autoritarismo e o desgoverno mostra o nudez. O tempo é subjetivo, a esquizofrenia não cessa de inventar suas manobras. Segunda-feira foi um dia especial.Escolhas voavam. Facebooks criavam fantasias. A agressividade ganhava corpo. Sinais de vingança ou compreensões éticas? O desejo que tudo seja explicitado inquieta e desconecta.

A sociedade amarrada na vacilação cultiva a mesquinhez. Os escritos revelam que há raivas antigas, o uso de palavras pesadas, o estado policial invadindo os meios de comunicação. Pior é quem possui a arrogância de olhar um futuro iluminado, apenas com a derrubada de Dilma. Simplificações. É preciso sentir a complexidade, a dança das cadeiras queimadas, a aflição marcante que domina cada conversa. Não existe um salvador , a contaminação atormenta, os partidos estão quebrados. A representatividade vive fingimentos. A sensatez é tardia, o pesadelo se estende, balança medos, repete opressões. A quem satisfaz tudo isso? Se as manipulações permanecem, há planos secretos, códigos.

É estranho como tudo se entrelaça! O dia parece ter mais de 24 horas e a violência é sempre lembrada. A modernidade já era, enfrentamos uma crise com desenhos pós-modernos. Não sabemos como inventar novos valores, muitos consideram que existe uma demonização exagerada que nos afasta da lucidez. No meios dos desenganos, as rebeldias se confundem. Os profetas vendem sua alma nas sombras dos debates. Há uma agonia que isola e tensiona. Hannah perde espaço para o inesquecível Maquiavel. Arrastamos o passado como corrente e não como experiências que devem ser assimiladas com cuidado, sem a doença da nostalgia dos paraísos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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1 Comment »

 
  • anuska salsa disse:

    Muito bom. Estou imensamente feliz de ter o meu computador de volta e poder ler o seu blog. abçs afetuosos

 

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