O Brasileirão e a festa do gol: a animação de sempre

O gol salva, encanta, aquece. Como disse, Paulo Mendes Campos,  o gol é necessário. Quando uma partida se arrasta e surge um gol, quebra-se a monotonia. A torcida até esquece suas lamúrias. O gol bem trabalhado faz a festa e provoca comentários gerais, sem distinção de cores. Ele tem sua estética e faz do futebol também uma arte, com sua pecualiaridade sedutora.

A foto de Pelé, acima, é inesquecível. A posição do corpo e a precisão dos movimentos balançam qualquer olhar. Pelé gostava de surpreender. Não é, sem razão, que fez mais de mil gols . Parecia escolhido pelos deuses: um arcanjo para enfeitiçar os corações de quem admira o bom jogo.

Outros merecem citação: Sócrates, Didi, Leivinha, Vavá, Maradona, Amarildo, Quarentinha, Romário, Roberto Dinamite, Rivelino tinham uma paixão pelo gol sempre viva. Há uma enorme quantidade de amantes da bola e das suas celebrações mais duradouras. O espaço é curto. Ficam as lacunas, mas  as imagens estão na memória.

Lembro-me  dos muitos momentos de alegria que vivi no Arrudão e estádios pernambucanos. Quem pode apagar na recordação os piques de Ramon, os chutes de Bita, as cabeçadas de Nino, as faltas de Luciano, as astúcias de Djalma, a habilidade de Fernando Santana? Não havia retrancas que ressistisse à vontade de atacar, sem passes presos ou chutões para área. Valia o talento. O gol compunha o espetáculo, com toda sua elegância.

Trata-se de uma homenagem às aventuras vividas com prazer. O Brasileirão, série A, está chegando no eixo da sua trajetória. Os resultados, desse final de semana, apontarão certos caminhos. Mas o gol é o tema. Nada de deixar escapá-lo. Nos jogos disputados, até sábado, chega-se próximo dos  400 tentos. 

Faltam artilheiros que encantem com mais decisão. Os gols de Bruno César foram importantes para o Corinthians. Mostraram agilidade, bons passes, tabelas articuladas. Os chutes de Elias, do Timão, foram beijar a rede do combalido São Paulo, duas vezes. Notam-se rapidez, contra-ataques articulados, menos bolas recuadas. Tardelli, Roberto, Neymar, Washington, Wellington Paulista, Emerson são outros que seguem trilhas vitoriosas.

No passado, assistir a um jogo do Santos de Pelé, Coutinho e Pepe era quase uma garantia de que o placar não ficaria mudo. O Cruzeiro de Tostão e Dirceu Lopes tinha uma sutileza na armação de jogadas incrível. O Palmeiras de Ademir da Guia, o Flamengo de Zico, o São Paulo de Careca e o Botafogo de Garrincha formam uma pequena síntese de um futebol extasiante.

Não há como negar que todos desejam rever o ímpeto para o gol retomado de forma radical. A ausência dos craques maravilhosos de antes,  a grana feiticeira atrapalhando profissionais vacilantes e professores ensinando a não passar do meio-de-campo são fatos e ações que intimidam a leveza de inventar.

O futebol é uma diversão e não um lugar de tensões covardes. A emoção importa, mas o medo de perder quando se torna uma doença, destrói os espaços criativos da vida. A multidão gosta do momento precioso de ver a bola se dirigindo para o véu da noiva. Que ele se multiplique !

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6 Comments »

 
  • Priscila Batista disse:

    Olá,

    Não havia nascido na época ativa do pelé ou dos outros grandes jogadores citados no texto,porém,sempre que converso com meu avô sobre o assunto,sinto a emoção que ele guarda até hoje das incríveis jogadas e das belas partidas disputadas que ele pode ver. Emoção que eu não encontro em seus olhos quando conversamos sobre os atuais jogos.
    Infelizmente, não só os jogadores mudaram, a torcida também: torcidas que não entendem que a disputa deve ser apenas no campo de futebol ganham manchetes por atos violentos, muito diferente do passado, onde se podia ir ver seu time jogando sem medo de usar a camisa e ser pego pela torcida adversária.
    Gostaria de um dia poder sentir essa sensação exposta nos olhos do meu avô. Sei que há jogadores excelentes nos campos, atualmente,mas nenhum que consiga arrepiar e inovar como os astros do passado.

    Excelente blog! Conheci através do meu professor de história, Márcio Lucena, e vim dar uma olhada; ultrapassou as minhas expectativas! Sempre que puder, estarei passando por aqui!
    Abraços!

  • Priscila

    Agradeço sua visita e seus bons comentários. Mostra que entende e gosta. Espero sua presença sempre.
    abs
    antonio paulo

  • pedro pachêco disse:

    Infelizmente o texto relata jogadores, posições táticas e jogadas que não se repetem no futebol de hoje.
    O futebol atual preza pela força física e pelo resultado puro e simples. Também não temos jogadores que nos faça ir pra campo só para vê-lo. Acho que o último aqui no Brasil foi Romário a conseguir esse feito.
    Nos dias atuais o drible é sinônimo de querer humilhar o adversário e instigar a violência. E o pior de tudo a imprensa em sua maioria concorda com isso. Daqui há algum tempo estarão lutando até para proibir o gol.
    Quando comecei a ler o texto me lembrei da frase dita pelo grande Dadá Maravilha “Não existe gol feio. Feio é não fazer gol”. O gol é o máximo do futebol, que pena que estão esquendo dele
    A diferença financeira entre os clubes também é gritante, algo que vai fazendo com que o futebol vá perdendo a graça, o brilho, o abstrato. Mais enfim isso é assunto pra outro texto.

  • Pedro

    Falta talento, pois os interesses financeiros inibem um trabalho mais profundo. Estamos no mundo da mercadoria e isso esvazia muita coisa. Grato pela opiniões.
    abs
    antonio rezende

  • Daniel Silva disse:

    Rezende,

    O Parreira dizia, em 1994, que “o gol era apenas um detalhe”…

    Complicado…

  • Daniel

    Parreira é uma figura polêmica. Acho que ele segurou o futebol. Muita teoria, para pouco espetáculo.
    abs
    antonio paulo

 

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