O cimento armado e as armadilhas do poder

As datas  e as ordens se sucedem de forma surpreendente. Não adiante precisão, fechar esquemas. Há desvios. Busca-se quebrar alguns rituais, mas se inventam outros. A sociedade está confusa na escolha das regras. O mercado age com habilidades, os políticos perderam caminhos e se ornamentam com discursos vazios. Uma desconfiança ganha força e gera rivalidades. Quem assegura o sossego, quem diminui o ruído? Os afetos não se foram de vez. Há, porém, uma fragmentação crescente e é preciso observar como ela perturba o coletivo e alimenta os desenganos. Muita sofisticação que se encontra  sob o controle de minorias, com tesouros sem mapa e cúmplices fabricados. O capitalismo não se aventura sem as conspirações, não é torto, nem ingênuo.

A história nunca se acertou. Sempre sacudiu pedras nos abismos, curtiu narcisismos, fez da violência uma ameaça constante. Pensar que esses conflitos vão se extinguir é um  delírio. Se muita coisa foi amenizada pelas tecnologias generosas, outras fazem parte do cinismo das negociações obscuras. A soltura nem sempre é sinal de liberdade. Se não há autonomia a sociedade pode se entregar, fugir da qualquer chance de socialização. Portanto, estamos num mundo que não tem um desenho definido, complexo como um quebra-cabeça gigante. A dor e a rebeldia são respostas, nem sempre contundentes. Somos refugiado ou inventores da história?

Construímos sempre. A salvação pelos deuses está suspensa. As religiões se digladiam, como corporações de negócios. É importante que a crítica não silencie. Uma sociedade com uma ordem fixa é monotonia aprisionada. Mas o desespero, a raiva nos confundem. Como as invejas viajam e são armas comuns de todos! As reviravoltas tornaram-se ambíguas, pois o monopólio cerca e intimida. Para que tantos bilhões? E a fome, a exploração? Canta-se o ritual da ambição. A comunicação fragiliza a solidão, porém quem pode negar as disputas , o saber servindo como mercadoria, as combinações guardadas em gavetas escuras, as leis  que somem ou adormecem. Por um triz a morte nos condena.

Não sei o que aguarda 2016. Há práticas que continuam. O mundo não vive sem promessas. Há risos animando vitrines e as corrupções mudam seus rostos. Todos se encantam com algumas fantasias. O que domina é o descartável, a exposição da propaganda, um minuto de exibição. Tudo é rápido. O conhecimento quer superar a experiência. Quem se apresenta dono da verdade cultiva dogmas e correntes. Sentem-se senhores do mundo, sem se tocar nas distância sociais permanentes. Muitos ocupam para oprimir com cimentos armados. Os gabinetes possuem ar-condicionado ou opiniões já debatidas com disfarces. A grana se embrulha até com saco de lixo. É  simbólica e perfumada, como dizem os espertos. Quem perde? O sol não esquenta a consciência de quem usa artifícios. http://www.cartacapital.com.br/sociedade/a-batalha-pelo-cais-jose-estelita-8652.html/ocupe-estelita-recife/@@images/adca609f-853c-466e-b5f1-d69c899c4eef.jpeg

 

VOLTO A POSTAR NO DIA 6 DE 1, BOAS LUZES E ANIMAÇÃO.

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