O cinismo dói: a política e o delírio

As novidades estão nos espelhos da mídia. As redes se inquietam e os julgamentos explodem. Muito sentimento escondido por detrás de argumentos ditos racionais. Eduardo Cunha renunciou. Configurou uma peça teatral de lágrimas, onisciência, cinismo. Não sou psicanalista, mas penso que os políticos estão no limite da falta de vergonha e longe de qualquer princípio ético. Imagino as psicopatias que se espalham pelo Congresso Nacional, até sugiro um atestado de saúde. Há quem não precise, mas nesse ambiente de disputas as doidices são variadas e sufocantes. A política está tonta e a sociedade também. A desconfiança representa o pesadelo que se alia às tensões múltiplas de cada dia.

Não fico torcendo por notícias mirabolantes. Sinto que desandamos. Sinto que o mundo desanda. Os Estados Unidos não se separam de seus desejos imperialistas, seguram o capitalismo com grande paixão. Temem a China, não querem perder os negócios, vivem no mar de neuroses sofisticadas. Aparecem assassinatos brutais, estranhos, permanentes. E dizem que são a terra privilegiada da democracia. Sobram piruetas, espionagens, tecnologias perigosas. Quem não se assusta com as manobras norte-americanas e sua sede pelo petróleo? O que aconteceu na África, no Brasil de 1964, nas nações latino-americanas foram acasos internos e desinteressados? Por que os fascismos se renovam e a democracia não se firma?

A geopolítica não é fácil de ser decifrada. As grandes potências jogam suas estratégias, possuem estudiosos, incorporam ajuda de aliados submissos. Veja com está a Europa. Um desacerto radical, um medo das imigrações, uma luta contra o desemprego. Para surpresa de muitos, os europeus curtem futebol, as máfias gastam milhões, a limpeza da grana suja se estende na área do divertimento. Ainda exaltam o Brasil como o país do futebol. As coisas ganham as encruzilhadas, detestam as linhas retas, arrumam rotas para corrupções radicais e globalizadas. Desertificam os corações já desesperados e acomodados nos divãs freudianos.

Qual o lugar da ética em um mundo que transforma tudo, sem desprezar os golpes e procurando desmanchar sociabilidades e tradições? Os afetos se misturam com as drogas, com os hábitos violentos, com a solidão degradante. Não esqueça que tudo está interligado. A dor não é única. As instituições adormecem com discursos doentes que divulgam epidemias. Até os juízes se enganam, dão sentenças contraditórias, estimulam delações, prometem uma justiça nada confiável? O desgoverno coletivo mina a vida cotidiana. Não se fragilize ao extremo. Os desconfortos exigem paciência e sabedoria. A ingenuidade e o fanatismo derrubam a consciência.Não se acumule.

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2 Comments »

 
  • Kbção disse:

    Antonio, há algum tempo deixei um livro com sua filha Marina, para que ela o entregasse e ela esqueceu. Lembrei-lhe hoje, então o livro deve estar chegando em suas mãos por esses dias. Trata-se de “A Utopia Brasileiro e O Movimento Negro”, de Antonio Risério, sociologo baiano.Imperdivel. Espero que leia.

    Abraço

  • Caro amigo

    Ela me falou atrasada, mas vou pegar.
    abs
    antonio

 

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