O circo e a violência nas aventuras da globalização

As violências estão anunciadas, nem precisa apontá-las. Fazem parte das leituras de jornais e das conversas mais ligeiras. Os índices são altos, apesar dos reforços policiais. As questões principais são esquecidas, portanto fica difícil esperar soluções. Quem espera que a aldeia global se tornasse pacífica perdeu energia. Há sofisticações e brutalidades sem limites. Os terrores são muitos e não circulam, apenas, nas controvérsias políticas. Ganham evidência quando atingem figuras públicas. Recentemente, um jogador do Vasco Gama viveu uma situação terrível. As versões são inúmeras. O medo ronda. Não se esqueçam  das violências que não penetram nas imagens da TVs, porém tropeçamos nelas todos os dias. Uma olhada nas praças mostra a quantidade de pessoas fixando residências nos seus espaços.

Tudo precário, com misérias explícitas e outras passando sem estranhamento. A indiferença é um sentimento desnorteante. Protege os medrosos ou os que pouco se ligam nas chamadas maldades. As culturas se aproximaram. Podemos avistar costumes orientais, saber sobre as crenças muçulmanas, compreender conflitos raciais. Não há, no entanto, envolvimento dos órgãos internacionais para buscar convivências solidárias. A aldeia global treme nas bases, embora haja disfarces e recursos tecnológicos.

A história continua sendo uma grande aventura. Quem apostou nas luzes da modernidade, hoje discute sua superação. E os novos paradigmas  começam a ser construídos? Por onde anda a razão objetiva tão astuciosa nos seus planejamentos? Alguns dizem que, apesar, das proximidades, as diferenças aumentam e criam abismos. As teorias se refazem, adquirem força acadêmica, mas os afetos se diluem. Os diálogos se restringem a acertos de contas. A ciência não descansa, traz novidades, destaca intelectuais, sem concretizar antigas utopias que proclamavam um futuro de lazeres e sossego. A atmosfera de frustração se estende, derruba fronteiras, inibe rebeldias.

As multidões que se formam exigem serviços urgentes e melhores condições de vida. Não possui estratégias definidas, mas o descaso  é tão visível que estimula protestos. A política vive tentando firmar poderes que se comprometam com os cargos e a arte de enganar. Maquiavel não abandonou seu trono. Segue assustado com os cinismos, perplexo com a duração de suas reflexões. As aventuras não estão cercadas apenas de mudanças. Elas arrastam permanências, torturas de tempos antigos, repetições de fôlego inesgotável. Tudo isso é discutindo, porque as gramáticas renovam seus sinais. O mundo merece traduções apressadas, envolvidas pelos malabarismos dos descartáveis. Sobram códigos e alfabetos.

O circo está sempre montado. Ele reinventa suas lonas , seus atores, seus territórios de ação. A plateia se mobiliza, não cessa de crescer. Diante de tantas agitações, o divertimento alivia e esconde. Parece escrever carências, diminuir inquietações que ampliem o desejo de revolucionar. As transformações querem silêncios inexpressivos, multidões que sacudam o corpo para aliviar as dores.As reflexões não fugiram do mundo. Seria o fim da história. Quem as controla? Quem as formaliza? Sempre as velhas questões que habitam na aldeia global. As portas escancaradas não significam que os mistérios se desfizeram. Quem ordena reorganizou os esconderijos, deixou o circo perder seus palhaços, escolhe magias perversas, com o riso de gigantes soberanos.

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2 Comments »

 
  • Canto da Boca disse:

    Antonio Paulo, fazes uma leitura crua, de uma sociedade perdida. A dilatação de fronteiras não apenas encurtou as distãncias, como também aproximou as tragédias, e nos iguala em basicamente tudo.
    Enquanto todos formos joguetes nas mãos dos poderosos, estaremos caminhando para o fim da afetividade, da humanidade.
    Sempre debato com meus alunos que ainda não conseguimos viver os ideais da Revolução Francesa (liberdade, igualdade e fraternidade). O capitalismo cria as nossas necessidades e nós nos deixamos envolver; os governantes preocupam-se apenas em locupletar suas contas bancárias, não existe um projeto para o progresso, para o bem comum… Aliado a uma rebeldia e ou desejo do ter, que é o que todos aprenderam, e aprnedem. E nesse intervalo, estamos, tentando nos equilibrar entre a loucura, o desrespeito, a falta de perspectiva e o desejo de mudança, de avanço… E a única saída que prevejo é debater, perceber o profundo, sair do superficial, e fazer. Recordo imenso das suas aulas, e do quanto é “angustiante” essa pós-modernidade (ao menos para mim).

    Excelente texto (mais um)!

  • Valda

    Muito bom seus comentários. É preciso provocar a polêmica, mostrar que há inquietações, pois o pragmatismo está forte e dominante.
    abs
    antonio paulo

 

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