O delírio da felicidade comprada

A história corre por muitos caminhos. As desconexões inquietam, mas restam expectativas de tudo poder ser ultrapassado e o mundo se livrar de seus lixos. Nunca o pessimismo foi absoluto, A sociedades trouxe sofisticações. Entusiasmou quem festeja o narcisismo. Se a tecnologia difundisse saberes e riqueza, as relações passariam por transformações significativas. Talvez, o lado obscuro se fragilizasse e acertaríamos nossas contas com o males do passado. Não faltaram turbulências.

No entanto, a complexidade não se destroça.Ela é um desafio, Se os saberes aumentam suas astúcias, também a quem se aproveite para expandir seus medos dos outros, seus ressentimentos e minar os impulsos de solidariedade. Não adiantaram as ideologias revolucionárias agitando as cabeças com a luz da felicidade? O capitalismo consolida-se, amplia o modo de produzir das mercadorias e vende máscaras das mais diversas cores. Globaliza-se sem remorsos. Mas há brechas.

Não se entende como um dito animal racional, animador de socializações inesperadas, cultiva perversidades, inventa armas de destruição anuncia guerras com etnocídios gigantescos. A ciência busca ultrapassar limites, porém as dependências do mercado gera monopólios. A questão não é a cura, multiplicar o acesso das populações à saúde como direto fundamental. Criam-se redes de interesses que se curvam às estratégias do mundo dos valores de troca que abastecem a virulência da mais-valia.

A felicidade é a palavra de ordem das propagandas com imagens delirantes. Prêmios na loteria, programas nas tardes de domingo, possibilidade de curtir os salários com investimentos, fingimentos nas redes sociais, uma aprendizagem cheia de curvas e escorregões. Construímos um dicionário com exaltações dúbias de materialização, desenhadas com cinismo que lembra a felicidade associada a lazeres, espertezas, teorias especializadas em atropelar o espaço de qualquer transparência. Comprar é um verbo que fascina e adormece a lucidez.

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