O domingo não perde a imagem da preguiça

No expansão marítima européia, o olhar era muito voltado para os oceanos e as possibilidades de fazer negócios. Vencer as turbulências das ondas gigantescas, como contavam as histórias da época. O mundo não se apresentava, como uma aldeia global, mas a Europa buscava outros caminhos para o comércio. Os planos iriam estreitar contatos e acordos. O tempo passou. O capitalismo ganhou força, se enrolou em muitas crises, o muro de Berlim caiu, o futebol glorificou Pelé, Ivete Sangalo é a rainha da Bahia e Lula tornou-se presidente do Brasil , por duas vezes.

Mudanças que mereciam muitas especulações. Não estamos mergulhando em assuntos acadêmicos, porém nada como dialogar com as tantas coisas que nos tocam. Se antes navegar era preciso, meus cumprimentos para Colombo e minha admiração pelas aventuras de Marco Polo. Não deixo de anunciar, também, que viver sempre é preciso. Foi o arcanjo Italo Calvino que trouxe parte dessa magia nas páginas d’ As Cidades Invisíveis.

A conversa vai solta, desfaz os limites, no entanto há uma direção. Não apaguei que, hoje, é domingo, o dia do descanso, pelo menos simbolicamente, ou do sono precioso para os cansados do cotidiano. A memória se balança e me recordo das brincadeiras e dos clássicos tão marcantes, na fase boa do Santa Cruz. As transformações não acontecem no vazio. Estamos na era da informática, com celulares de todas as cores e todas as solidões. As embarcações são outras. A palavra de ordem é consumir e, aí, se  faz  a integração do social com o político.

O domingo não é aquele domingo e a aldeia global se arquitetou com velocidade. O futebol continua firme, ocupando vitrines exuberantes nas mensagens televisivas. Muita gente torce no calor dos estádios. Nega-se a cochilar na poltrona, detesta o famoso repeteco e suas sofisticações visuais. Outros recolhem-se aos ruídos dos shoppings e procuram filmes e parcerias para vê-los. A sociedade de massas não quer quietudes, mas sacos de pipoca e copos de coca-cola circulando, no frio das salas de cinema. Construiu-se um mercado cheio de conforto, sem animais marinhos ameaçadores, com uma sede de lucro inestimável.

Reorganizar as transgressões, dentro de cercas bem fincadas, para não fugir dos espaços da diversão. Apesar das alternativas, o controle se prolonga até na vontade de se distrair e contrariar as adversidades. O mundo do negócio é tão avassalador que a suspeita mora na cabeça de quem reflete. Conspirações existem, quando os fantasmas parecem vagabundos, levitando sem agonia e angústia. No domingo, a idéia de feriado ainda beslica. É um dia especial.

O Brasileirão curte momentos decisivos, os jogos se arrastam e sol do verão insiste em comungar com as praias.Nos lugares da convivência, as fofocas se espalham, as línguas se esquentam, a inveja ensaia sua negatividade. A trilha da mesmice assusta quem se deleita com a criatividade. Tudo se parece. A multiplicidade das formas não esconde a unidade dos princípios. A comunicação se virtualiza. Tenho saudade do tempo que o domingo era o domingo e as máscaras se usavam, apenas, nos carnavais.

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