O dualismo inquieto: o bem e o mal

 

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Pensar uma programação para a história é uma aventura sem retorno. As incertezas são tantas que atormentam qualquer  feiticeiro do futuro. Não sabemos qual a aposta que nos livrará dos sufocos cotidianos. Existem as concepções de mundo, todos escolhem seus caminhos, mas com as indeterminações que não conseguem controlar. A sociedade viveu revoluções, acreditou em teorias acadêmicas, elogiou a generosidade de deuses e o carisma de políticos. Exaltam-se discursos, fixam-se identidades, porém o voo é alto, alcança saberes e enigmas indefinidos. Os delírios não perdem seus espaços.

Na política, a questão ganha complexidade. Há os representantes do bem e do mal.Fala-se em multiplicidade, em mundo cheio de denúncias, recusas, invenções. O que cativa, no entanto, é o dualismo. Quem se joga no bem ou abomina o mal? Cada época sinaliza com a formação de instituições que confundem o sagrado com o profano. Refinam-se os conceitos. Os tempos dos anúncios e imagens atraem olhares e tumultua reflexões. O bem e o mal repetem-se e muitos nem percebem os disfarces. A máscara da tecnologia brinca com a fragilidade dos corpos.

Temos pontos comuns, mas também nos conflitamos. A igualdade é sonhada, a exploração condenada. Com chegar ao diálogo se os pontos incomuns resistem e fortalecem as diferenças? Não há respostas salvadoras. Os espaços diversos recebem subjetividades em movimento constante. O bem se veste de cores e camufla valores. O mal possui suas relações com os demônios, intimidam os que se envolvem com os profetas do apocalipse que constroem templos luxuosos, negociando num mercado estranho que invade as televisões com sucesso..

Simplificar as análises ajuda a costurar a vida. Entrar na festa do consumo alivia sofrimentos, segundo alguns especialistas. No entanto, caímos em fantasias, gostamos dos bailes de madrugadores, riscamos a coragem com faces de fantasmas cibernéticos. Se as atitudes flutuam, se as esperanças tergiversam, não há como garantir que a sociedade se assuma coletivamente. A divisão é visível. Há quem não suporte o outro, quem venda culpa e se envolva com os cinismos. A dispersão é imensa e involuntária. Discutem-se as dimensões do imaginário e do inconsciente. A nudez não afirma a liberdade.

Não há fórmula universal, nem o bem e o mal existem sem alterações. A história não convive com apatias eternas. Tudo respira a atmosfera do efêmero. Temos que dá nomes as coisas e construir gramáticas. As fugas acontecem e os paraísos podem renascer nos desertos. A possibilidade é traço que o teatro da vida não se cansa de mostrar. Os desenhos representam símbolos. O problema é que os significados mudam e as ambições escravizam como uma droga permanente. Julgamos com sentenças inquietas e linguagens que se transformam rapidamente..

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