O ensino das histórias: finitudes e mesmices

 

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Não sei ensinar história sem pensar nas várias tramas didáticas que se divulgam. Há quem aposte numa cronologia do espetáculo. Escolhem guerras, elegem mitos, gostam da vaidades. Falta um debate ou uma reflexão sobre o significado do ser humano. O que queremos? Quais os nossos limites? Somos criadores ou criaturas? Perdidos, entre datas e nomes, facilitamos a memorização e congelamos as perguntas. Há espelhos e desejos de onipotência e pouca atenção para os significado da cultura. Inventamos palavras, nos angustiamos,traçamos utopias, não apenas somos festivos e alienados.

Os incômodos são muitos e compreendem necessidades. Há singularidades e comunhões. O que imagina quem mora numa sociedade marcada pela agressividade? O que imagina quem mora numa sociedade repleta de aridez? A cultura é construída. Buscamos alternativas para as incompletudes. Prometeu simboliza muito, como também Apolo, Zeus, Sísifo, Albert Camus, Neruda,Pelé, Noel, Clarice, Antígona, Nara… Não é possível decifrar cada enigma ou enquadrar cada pessoa num modelo fixo. Mas a procura existe e o limite nos cobre de medo. Não esqueça a rebeldia e o ânimo de destroçar as injustiças.

A complexidade da história é desafio, não cabe numa folha de papel. Uma sociedade sem polêmica não se estende, fica apática, esperando a morte chegar. O ensino da história se amplia quando não escondemos as dúvidas. É preciso fugir dos ritmos da causas e consequências. Há historiadores que se abandonam nos feitiços de documentos. Não observa a finitude, os desesperos, as idas e as vindas dos humanos. Quem se encanta com a mistificação do progresso se afoga na linearidade. A história se vive e se conta. Não deixa de produzir problemas e pede ousadias. Não há como se distanciar das aventuras que compõem a sociabilidade. Aniquilar a sensibilidade é tornar-se pedra.

O presente não é a garantia do futuro. O passado ressuscita anseios e mostra as permanências. Os vassalos da tecnologia anunciam eternidades e o fim dos desencanto. Há um apego às profecias. Sair da sala de aula com esquemas infalíveis é um pecado capital. Arquitetar uma felicidade para enfeitar as vitrinesdos sentimentos é perigoso. Há planícies e abismos, desfazeres e desamparos. No entanto, a reinvenção nos toca. Os poetas tocam o céu com as mãos. Quem não lê se sufoca na mesmice. Que escreve uma história como um conjunto de números se embriagou com a mesquinhez. A história é lugar de fantasias, mesmo que as magias nos surpreendem e desejemos fundar o inferno.

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