O espetáculo amplia as controvérsias

Os divertimentos assanham a sociedade. Ela precisa esquecer seu cotidiano e buscar distrações. O trabalho para ganhar dinheiro é duro. A maioria sofre, pega ônibus, ouve insultos, sente tensões, tem medo de assaltos. O cansaço é avassalador. A televisão atua como um paliativo. Tudo se inventa para convencer os espectadores. É a quebra do acontecimento comum e a exaltação do espetáculo. Ele possui malabarismo, conta com tecnologias, manda mensagens, levanta suposições. Faz parte da sociedade do consumo. Não se resume aos encantos de atrizes e atores. Atinge um público que se afunda nas controvérsias. O boato e o fato se olham no mesmo espelho, ocupam manchetes, desfilam no plim-plim da globo.

Estamos vivendo momentos de ataques midiáticos surpreendentes. Eles superam as expectativas. Vestem-se com argumentos dos chamados especialistas. Não querem sossego, mas sacodem suspenses e tumultuam julgamentos. Assim foi a atuação dos procuradores  para detonar Lula e intimidá-lo. É importante que se  evite que a epidemia da corrupção se propague. Não tenho dúvidas. O que me assusta são as escolhas, a seleção, as jogadas no ar. A investigação está concentrada. Reveste-se de fatalidades e cria instabilidades constantes. Haverá interrupções?  Noto a força dos ressentimentos, das frustrações, das palavras malditas. A emoção atravessa as falas, confunde.

As redes sociais espalham delírios. A divisão multiplica as tensões. Fico meio tonto. Observo que a política ganha um pragmatismo imenso. São acusações contínuas, com a negação de que o golpe não existe. Colocou-se as regras jurídicas pelo avesso. Há muitos abismos e violências. O Brasil se esfacela, os partidos pouco sabem. O poder é o amuleto. A minoria possui garantias extraordinárias, para não perder seus lugares. Buscam convencer, curtem o imediato, deixa no ar análises dúbias.Quem encontra um caminho sem as famosas pedras? O capitalismo quer salvar seus prejuízos. Rearruma-se, não joga fora a exploração, cerca-se se consultores, discursa com bases na ordem e no progresso. Ressalta o destino e não a força da história.

Há quem fique perplexo. Os que tem um passado de lutas, mas simpatizam com a turma do Temer, sentem sufoco. Fabricam-se justificativas com sofisticações. A luta é outra, não estamos na época da ditadura militar. Não tenho dúvidas. Desconfio se há medo de perdas profissionais, dores de cabeça e sentimentos internos obscuros. Não tenho provas, nem convicções. O ser humano nem pensa mais nas utopias. O utilitarismo é vírus que fascina, o aparecer traz a vitória das vitrines e da razão cínica. As verdades estão, cada vez mais, curvas. Quando os religiosos pregam sobre o juízo final, talvez mostrem dogmas que balançam o trapézio. Quem dorme, quem sonha, quem se entrega?

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