O estranho Jair Bolsonaro?

As dificuldades de se avaliarem os passageiros do poder são visíveis. A história tem surpresas. Quem pode esquecer a violência de Hitler, as histerias de Mussolini, as perseguições no governo de Stálin, o imperialismo norte-americano? Sobram exemplos. Não adianta sacudir tudo na lata do lixo. A memória deve continuar acesa e os exemplos servem para redefinir valores. Observa-se como os cinismos variam, mas as sofisticações assassinas permanecem atuantes. Não precisa acusar as relações capitalistas. Antes delas, a sociedade dirigente assumiu comportamentos marcados pela crueldade e falta de respeito à solidariedade.

Jair não é uma estrela solitária. Possui modelos, companhias, cuida da família com excessos. Pouco se liga na justiça. Assusta. Quer gritar para chamar atenção e se fazer sempre de vítima. Não nega suas ambições, cultiva amizades pesadas, sente-se dono das instituições.Consegue simpatias e manipula intensamente. Briga com a Globo, acusa Lula, produz frases de efeitos, adora as redes sociais. É notícia e carrega entusiasmos dos mais conservadores. Exalta Ratinho, Moro e Macedo e toma conta do seu condomínio com ajudas especializadas.

Jair não é estranho. Vive, numa época, marcada por ambiguidades amplas e intimidadoras. Surgem boatos, fabricam-se fakes, formam-se alianças políticas cheias de intrigas mascaradas Há quem se lembre dos valores do fascismo e tentem ressuscitá-los. A história mostra que há distopias, pesadelos armados para derrubar sonhos. No entanto, as euforias circulam, pois nem todos sofrem. Há os privilegiados e Jair se organizar para servi-los. Cabe nos interesses de minorias e agride quem o critica. Conta com saudações de figuras que exaltam sua possível sinceridade. Os delírios são muitos e invadem o espetáculo do horror.

A ideia de progresso ética está sepultada. Nietzsche já assinalava os grandes vazios da cultural ocidental. O autoritarismo não se afastou das relações sociais. Há tensões, diferenças, preconceitos. A harmonia é algo citado nas utopias, porém o mal estar é generalizado. Existiram genocídios inesperados e a ferocidade de grupos atormenta qualquer desejo de paz. O holocausto afirmou que a humanidade arquiteta tragédias sem limites. Jair faz um jogo que provoca instabilidades. Promove uma ordem que destrói a reflexão coletiva e não se acanha com seus adversários. Acomoda-se numa estratégia que assombra. É um adepto da exploração vasta e apocalíptica. Gosta das hienas e o riso dos fantasmas. Jamis leria os depoimentos de Primo Levi.

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