O Facebook e a escrita: conversas com o mundo

Escrever é uma forma de se inserir nas andanças da sociedade. Não é ato que demonstre a soberania da solidão. Escrevemos porque estamos no mundo, cheio de dúvidas, sem saber por onde anda as verdades, onde se perderam as referências éticas. Todos usam linguagens, cada dia mais múltiplas. Não dá para compreendê-las na sua totalidade. As tecnologias inventam máquinas e fórmulas surpreendentes que nos tocam cotidianamente. A velocidade, no entanto, não é amiga da reflexão. As novidades e os escândalos conseguem adeptos imediatos. Os olhares parecem cansados das palavras e se movem em busca de imagens. O tempo continua com suas aventuras e não há como criar argumentos exatos. A indefinição atiça invejas e ambições.

Quem se lança na escrita não renega sossegos. As pausas são necessárias. Não há um texto pronto, sem suspiros ou comunicações inesperadas. As subjetividades se lançam. Não estão presas. Querem visualizar diversidades, desconfiam das dores e das alegrias. O mundo é cenário das contradições. Esperar que tudo se acerte é uma utopia magistral. Os contrapontos, as dissonâncias não permitem que os paraísos se segurem na imaginação e ganhem territórios fixos. As palavras possuem histórias, desaparecem, ressurgem, cansam os mais preguiçosos, exigem fôlego. Conversar é exercício do afeto.Há preocupações. Reduzir as linguagens é um perigo.

Os silêncios ensinam, pois é preciso cuidar das leituras do mundo, das idas e vindas, não misturar a partida com a volta, interpretar significados. Gosto das narrativas, gosto de que os ruídos tenham eco, porém é importante que os esclarecimentos desenhem caminhos. Os enigmas não vão escapar das interioridade. Há dificuldades de nomear certos sentimentos. O tropeço existe, o abismo simboliza perdas e o futuro anuncia o fim. Quando a escrita se revela ela não traz a nudez absoluta. Sempre guarda segredos e mascara, traça astúcias. No Facebook, as escritas contam do eu e dos outros e, muitas vezes, desconversa para inutilizar amarguras. É mínima e fugidia, mas nunca inútil.

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