O facebook é uma arena singular

Não é exagero afirmar que a cultura se faz com muita conversa. A mudez tem sem seus significados, mas é preciso movimento para que as invenções se estendem e corram o mundo. As conversas não levam, necessariamente, ao consenso. Por mais autoritária que seja a sociedade não se vive sem diferenças. A memória mostra como dissonâncias trazem abalos em verdades, aparentemente, inquestionáveis. Portanto, não vamos ser prisioneiro das harmonias e observar que os preconceitos se envolvem com as culturas. Os conflitos compõem as histórias, embora os paraísos se encham de arcanjos mensageiros da paz

As formas de comunicação mudam com rapidez.Não estamos no tempo dos sofistas. A tecnologia nos chama para perto e nos fascina. Quem nunca ouvi falar nas amizades virtuais? Não dá nem tempo para pensar na resposta mais consequente. Muita agilidade, pouca reflexão e simpatias fabricadas. No facebook encontramos velhos conhecidos, porém há máscaras e nomes estranhos. Busca-se uma afetividade, sem revelações ruidosas. Um dia serve para sossegar certas inquietações, trocar receitas de bolo, anunciar relacionamentos e criticar grandes potências.

A virtualidade não esconde disputas e cultiva disfarces. Gira em torno da quantidade, celebra o êxito de artistas, faz da política um divertimento. Apesar das distâncias temporais, os grupos do face lembram as corporações de ofício. Há os mestres, há compartilhamentos e tentativas de ascensão social. Vivemos numa sociedade que pede agitação e escândalo. O facebook é território sem mapa definido, porém com especialistas acadêmicos e conselheiros com saberes esquisitos que trocam profecias sobre os fins do governo. Não se surpreenda com os exibicionismos, daquela figura que você julgava simples

Tudo é possível. Os bens eletrônicos não possuem posição fixa e dispensam passaporte. Posso derramar lágrimas e ser socorrido por estranho. Procuram-se conversas, migalhas de afeto para que o dia não fuja do controle. É importante estimular interesses e prometer milagres. Na sociedade contemporânea, o afeto se desenha com linguagens técnicas, comemorando a expansão das fórmulas objetivas. A expressão do rosto pode ser fixa, as palavras mínimas, as imagens sombrias e o desejo manipulado. Sentir-se só, contudo, é desistir do mundo e correr para o abismo.

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