Os fantasmas das derrotas assustam as torcidas

No futebol, nada como uma vitória sossegada. Se possível com muitos gols e a vibração constante da torcida. Quando se joga bem é uma maravilha. A autoestima cresce, a bola rola com facilidade, o otimismo firma-se. A derrota não causa, algumas vezes, muito impacto. Depende da situação.Mas perder, quase sempre, nos tira o ânimo.  

O empate é de uma ambiguidade imensa. Muitos clubes tornam-se campeões com a conquista de uma magro 0x0. As comemorações sucedem-se. Faltaram o gosto da goleada, de ver a rede balançando e os gritos da galera entusiasmada. O futebol é um jogo, como muitos outros. Uma síntese das armadilhas da vida, como também das suas ousadias e dos seus dramas.

No Brasileirão, as emoções são diversas. Muitas equipes disputando pontos, enfrentando adversários de outras regiões ou encarando clássicos locais, onde a rivalidade é uma permanência. As torcidas acompanham o desenrolar das partidas, frequentam os estádios ou ficam acomodadas nas televisões. Há oscilações no público. Quem está na trilha do fracasso não investe muito, fica desconfiado, com raras e honrosas exceções.

Não custa apontar algumas surpresas que atingem a trajetória de clubes famosos. É uma reflexão, pois perder e ganhar desenham o enredo das ações humanas, desde as travessuras de Adão e Eva no paraíso. Nos campeonatos, tudo aparece mais visível, os jornais se enchem de notícias, as alegrias mudam de lugar. O inesperado não deixa de estar presente.

Há clubes conquistadores, equilibrados e com admiradores fiéis. Um deles, é o São Paulo, com amplas tradições. Citado como exemplo, em todos os sentidos, o tricolor desgovernou-se. Não que esteja abandonado, num labirinto, sem alternativas. Possui bons jogadores, mas as frustrações não se encerram. Vem de uma derrota para o Corinthians e a fofoca do descontrole corre solta. As especulações são de toda ordem.

Talvez, tenha havido vacilações na escolha do técnico. Ricardo Gomes não se mostrou capaz de segurar as barras. Para muitos, houve paciência, em excesso, com seus erros e o time foi se desmanchando. O turbilhão incomoda a diretoria vaidosa do São Paulo. Quem pode resolver esses impasses? Será preciso um novo líder, para fazer renascer o elenco?

Outro exemplo: o Atlético Mineiro gastou fortuna. Reformou seu time. Apostou na eficiência de Luxemburgo. Não deu certo. Está assustando sua torcida, com a perigosa sombra da desclassificação. As justificativas do seu técnico não convencem. O insucesso contagia e desagrega. No meio do caminho, tem mais pedras do que o poeta Drummond, mineiro de Itabira, pensava.

As possibilidades de reversão das tristezas devem ser alimentadas. Os fantasmas eternos só existem, quando o medo comanda nossas aventuras. No futebol, o sucesso pode se esvair com velocidade.  O mesmo pode suceder com as desorientações, com as más fases. O abismo é, apenas, um simples aviso. Mas é importante não aprofundar os sustos.

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2 Comments »

 
  • Rodrigo Lira disse:

    “As torcidas acompanham o desenrolar das partidas, frequentam os estádios ou ficam acomodadas nas televisões. Há oscilações no público. Quem está na trilha do fracasso não investe muito, fica desconfiado, com raras e honrosas exceções.”

    Apesar do meu santinha se encontrar na trilha do ‘fracasso’ a alguns anos essa ressalva feita pelo senhor, graças a deus não se aplica ao imenso Santa Cruz, pelo contrário, parece que a torcida ganhou mais força e todos querem se unir para reverter essa trajetória de sofrimento.

    Parabens pelo blog professor, sou aluno de marcinho, ele indicou o site na aula dele. Gostei bastante , pois sou fã de futebol e gosto de bons textos como o seu.
    Abração

  • Rodrigo

    Realmente, a torcida do Santa vai para campo e move tudo para que o time ganhe. Isso é bom.
    Grato pela leitura.
    abs
    antonio paulo

 

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