A ressaca eleitoral, as violências e os fascismos

No meio das muitas euforias e frustrações, repercutem os resultados das  eleições municipais. Renovações anunciadas, institutos de pesquisas lamentando certas previsões, promessas reafirmadas por candidatos vitoriosos compõem o momento. As conversas circulam, acompanhados do temor de que as repetições não se confirmem. O novo é, muitas vezes, o disfarce de tradições conversadoras. Não dá para encher-se de pessimismos. Desistir das possibilidades de mudanças traz apatia e esvazia, mais ainda, o jogo da política. Portanto, resta observar, nã abandonar a crítica e a denúncia. O direito de protestar não morreu. Ninguém está sufocado para sempre.

O mundo continua no seu exercício cotidiano de violência. Fala-se muito da Síria: um extermínio constante de pessoas. Não existem  forças de pressão que cessem tantos descontroles. Até os jornalistas não podem veicular notícias de forma segura. Há muitas especulações, mas o ditador não foge da ordem de oprimir. Um genocídio, em pleno século XXI, mostra que as guerras e os ressentimentos atuam diluindo propostas de igualdade. Não adiantaram as aproximações diplomáticas, as sofisticações nas negociações. a vontade de fixar modelos de democracia. O vaivém da história impressiona, anunciando que o debate sobre o progresso não se findou.

O passado nos  lembra figuras que massacraram povos e seguiram estratégias de vinganças fabricadas. Não precisa ir muito longe. Stalin, Mussolini, Hitler, Franco, entre tantos outros, não suportaram oposições. A tolerância não fazia parte dos seus dicionários. Essa prática não desapareceu. Os fascismos tomam espaços no cotidiano, possuem máscaras, assumem comportamentos com significações do seu tempo. No entanto, não se pode negar que a multiplicidade existe e também aqueles que não suportam conviver com ela. As experiências traumatizantes retornam,  assinalam que certas lições são esquecidas e vida segue mantendo disputas e carente de mais solidariedade.

É importante não se fixar no presente. O que assusta é a permanência. Desde os primeiros tempos da história, a violência transforma suas ações, porém não se afasta da convivência. Muitos cenários políticos tiveram que ser modificados. Já tivemos o predomínio da escravidão. Ela não se foi. Há vestígios de regimes de trabalho, profundamente, controladores. Vestígio é uma palavra suave. Até que ponto a corrida pelo sucesso não nos tira prazeres e nos cerca de obrigações excessivas? Cabe, então, discutir como anda a sociedade que se proclama democrática. Contudo, ela conquistou direitos e muitos não se conformam com a censura e a manipulação.

Conviver com as diferenças sem se desfazer da autonomia é desafio. Talvez, os desacertos prossigam. Nossa incompletude não se coordena com um mundo de sossego. As religiões não esgotam suas profecias. A política toma rumos salvacionistas, apesar dos inúmeros acontecimentos que aumentam o ofrimento e a miséria. A fome não se esconde, é visível, mora ao lado. O desperdício não se ausenta. Mora também ao lado. Quem escolhe o conformismo, muitas vezes, arquiteta seu castelo de alienação. É uma escolha, uma solidão mesquinha. A fragmentação das sociabilidades é uma ameaça. A cultura treme com os infortúnios. Vivemos a história sem nos livrar da aventura e da ambiguidade.

PS: Voltamos aos dias do blog publicar: terça ,quinta, sábado, domingo. Houve problemas técnicos que fugiram ao nosso controle. Avisamos que atualizamos tudo, sem a perda da sequência anterior. Grato.

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2 Comments »

 
  • Valéria Moura disse:

    Verdade! Muito de fascismo e nazismo persistem na atualidade. Um dos exemplos são as propagandas políticas… Práticas adotas nas propagandas desses regimes estão presentes ainda hoje, isso de certa forma assusta, pois acabamos não nos dando conta do perigo que pode surgir.
    Abraços!

  • Valéria

    Há permanências que assustam pela intolerância e manipulação. A massificação encobre muita coisa. Onde pensam que há novidades, existem práticas envelhecidas e autoritárias.
    abs
    antonio paulo

 

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