O flutuar do prestígio e o feitiço suave da fama

A sociedade não vive sem cantar vitórias. Nem tudo representa êxito permanente, mas ficar frustrado é um mal para o pragmatismo que nos envolve. Há os que flutuam na fama com ares de eternidade. Brincam com o passar do tempo. Fogem de armadilhas. Desafiam profecias. Está aí Roberto Carlos. Quantos não afirmaram sua queda diante das mudanças nos hábitos sociais? Grande engano. Continua sendo aclamado, é o rei e possui lugar carimbado nos especiais da Globo. Há figuras que ficam quase escondidas, porém promovem agitações e comentários quando resolvem colocar-se na vitrine. É o caso de Xuxa. Quantas vezes se discutiu seu talento ou sua vocação para superficialidade? Xuxa, ainda, balança corações e entusiasma crianças.

Neymar é recente. Apenas, dezenove anos. Já é uma figura internacional, Joga no Santos, aquele que foi a residência de Pelé. Aparece em várias propagandas. Não quis ir para um clube europeu. Nem por isso a fortuna lhe fugiu. É ídolo indiscutível, com fãs em todos os recantos. Desperta paixões.Tem um sorriso largo. Sonha alto. Sabe que não dá para vacilar muito. Basta observar os desandares de Ronaldinho e Adriano. Neymar segue os conselhos do pai. Parece não ter pressa. Compete com Messi, mostra-se improvisador e artista, acredita que desbancará o craque do Barcelona. Especulações existem, opiniões não se calam. 

Lula enfrenta a doença que derrubou um pouco seu ânimo. Teve que usar chapéu, trata-se com cuidado, recebe solidariedades cotidianas. Não perde o prestígio. Mantém uma popularidade imensa. O feitiço na palavra e a inquietude lhe acompanham. Não se afastou de Dilma, como muitos desejavam. Segue costurando alianças, estimulando otimismos. Não lhe faltam astúcias, nem desenha na sua cartografia distanciamentos do poder. Lula firmou singularidades, desviou-se de acusações, lançou o Brasil no circuito das grandes potências com força elogiada. Não é um Deus, porém um corintiano, com seus pecados, inimigos e vida, buscando alternativas.

Não é fácil assegurar conforto numa sociedade que se desloca no ritmo da velocidade tecnológica. Mas as permanências negam que as mudanças devam acontecer sempre, que o mundo não gosta de repetições e cultiva as novidades, mesmo que sejam descartáveis e suspeitas. Os Beatles não deixaram de ser admirados.Estão no mercado mais promissor. Fizeram sucesso incomensurável, nos anos 1960. Lennon e Martin morreram, no entanto o tempo não sepultou suas canções, nem anulou seus dizeres. Há fanáticos que não perdem detalhes de suas lembranças e os consideram incomparáveis. E a polêmica recente sobre a morte de Michael Jackson, as visitas constantes ao túmulo de Presley, as saudades acumuladas dos seguidores de Getúlio Vargas?

A história não cansa de construir crenças. As religiões mais antigas não conservam as mesmas tradições, sofrem pressões de ordens pragmáticas e entram no vaivém da concorrência para conquistar  encanto e  grana. Quem não conhece padre Marcelo e suas missas que se vestem de ornamentos dos espetáculos mais sofisticados? Pelé incomoda Romário que denuncia Ricardo Teixeira que protege João Havelange que nega a autoria de inúmeras corrupções. Seria impossível nomear todos que flutuam no escorrego da fama, sem se desligar do reino das controvérsias. O mundo globalizado estende ambições e armaduras.

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2 Comments »

 
  • Monique disse:

    Atualmente chaga a ser enfadonha a forma como a mídia trata o garoto Neymar!Parece que todo o time do Santos resume-se à figura de um único jogador.Toda essa excessiva atenção pode ser muito perigosa para a formação desse indivíduo.Muitas são as sinuosidades desse universo de supervalorização midiática que envolve a fama.

    abs

  • Monique
    Tudo termina sendo mercadoria. A imprensa não foge da lógica comercial. É claro que há exceções.
    abs
    antonio

 

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