O fogo é do mundo?

 

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A perplexidade assusta cotidianamente.  Circulam coisas doloridas e perversas. O sensacionalismo corta , muitas vezes, a crítica e a solidariedade. A miséria habita regiões imensas. Come-se barro, as epidemias  vão e voltam. A mídia, porém, seleciona as notícias com preciosismo que dê retorno aos investimentos. Os  jornais não estão numa situação agradável. Há falências e descontroles. Portanto, se aproveitam da internacionalização dos espetáculos. Numa sociedade repleta de desenganos, as armadilhas são constantes. Explorar  aquilo que mexe com os privilegiados é uma conquistas nas vendas. Criam-se amarguras e apagam os desastres que acontecem no Haiti, em Angola, em Moçambique.É preciso valorizar o charme industrializado.

São apostas na ingenuidade ou esperteza dos negócios? As perdas culturais não devem ser desprezadas. O que aconteceu em Notre-Dame representa  desgraças e desenganos. Não há como menosprezar. Ainda existem incêndios que desmontam feitos de tantos séculos! Cadê a tecnologia? No entanto, não se pode esconder os desequilíbrios. As desigualdades são jogadas no lixo. A educação se concentra em quem se enche de grana? Por que não imaginar saídas para quem vive empurrões da fome e das violências políticas? O capitalismo atrai. Não faltam defensores. E os excessos não  atingem as maiorias? Quem ganha?

Parece que a sociedade não cuida das rebeldias e não analisa a expansão dos desgovernos. O cinismo virou uma prática.  Há soberanias tortas que roubam qualquer possibilidade de diálogo. É um incêndio que queima as liberdades e aumenta as esquizofrenias sociais. Insistir que o mundo das mercadorias é duma crueldade sem limites revela que é preciso sair do sufoco. Como alimentam-se absurdos e cultivar apatias! As sociabilidades se desmancham quando os afetos tem preços. As relações de poder denunciam uma escassez na forma de olhar o outro e de procurar as portas abertas dos labirintos.

Sempre as incertezas retomam seus lugares.A história possui curvas e estradas acidentadas. Inventaram luzes, salvações, paraísos, porém as incompletudes permanecem. O disfarce dita presenta. O engano é constituinte das manipulações. Joga-se com habilidade. Existem técnicas e especializações sofisticados. A escravização não se transformou. Continua. A complexidade social nos coloca no limite. Muitas notícias, crescentes interesses narcísicos. O fogo nos aquece e nos consome.Faltam respostas, sobram desalentos. As  dores não desistem de firmar seus lugares.

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2 Comments »

 
  • Rivelynno Lins disse:

    … hoje vivenciamos o desprezo da ciência e do intelectual na sociedade, eles não possuem mais a relevância de outrora. Ter conhecimento não é necessariamente ter poder. O que se discute como a pauta do dia é muito bem pensado e articulado e nisso as práticas de inclusão e solidariedade são abafadas e ignoradas, em grande parte. É muito comum observar, em muitas reportagens, pessoas que ocupam altas posições de poder diminuírem negros, mulheres, LGBTs, pobres em geral como grupos ou classes subhumanos, eternamente subalternos. As estratégias para que tais práticas sejam abolidas do nosso cotidiano ainda não se tornaram eficazes. O atual jogo do poder não é solidário, mas vem funcionando, é preciso reagir, mas a fórmula ainda não foi descoberta…

  • Anuska salsa disse:

    Antônio Paulo, você é algo de bom que sempre vou levar comigo. Gratidão!

 

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