O futebol, a multidão, o inesperado, o desengano

O divertimento move a sociedade e constrói imaginários importantes. Há um ritmo de trabalho que consome as pessoas, de forma intensa, então é fundamental a distração. Sair da monotonia e sacudir as emoções. Torcer e romper com as apatias. As cidades apresentam uma diversidade de atrações. Umas conservam a intimidade, outras chamam para o convívio com as multidões. Assim trabalho e lazer fazem seus pactos, não se esquecendo  das inquietudes. Não há paralisia no tempo. Tarde, noite, manhã se misturam, criando uma outra ordem cotidiana.

 A tecnologia facilita o mundo das comunicações, das esquisitices e das fantasias. O território do inesperado se amplia, com celebrações.O futebol tem lugar especial na agitação geral. Consegue envolver as multidões, porque quebra comportamentos frequentes e promove desafios. Além de tudo, há as paixões e os estádios com suas cores surpreendentes. Quem pensava que o Brasil era exclusivo na seu apego com a bola, cometeu um equívoco. Ela está voando, sem respeitar fronteiras, firmando negócios e redefinindo costumes. Lembrem-se da Copa  de 2010 e esperem o que acontecerá em 2014. Os investimentos de lavagem de dinheiro também avançam pelo mundos dos jogos. Vendem-se clubes, trocam-se emblemas, silenciam sobre certas propostas.

Na medida que a internacionalização se alarga, os interesses se multiplicam. O futebol é emprego para muita gente. Existem os anônimos e os donos da festa. Por detrás de Messi ou Neymar, operários, em construção, giram uma máquina gigantesca. Tudo possui complexidades de espetáculos sedutores. Não estamos reduzidos aos campos de várzeas. As imagens são outras e pedem uma constante especialização. Exporta-se e importa-se, num mercado barulhento.No Brasil, os campeonatos regionais garantem o início da temporada.

 Tradição, rivalidades, memória atiçam a vida dos torcedores que não dispensam as idas aos estádios.Tranformam o domingo num dia das orações esportivas. Para muitos, uma compensação para os desacertos de semana. Uma boa fuga ou uma aventura moderna? Não faltam violências, choques de opiniões, objetos de desejo, ônibus lotados. Os que se ausentam olham intrigados, sem entender o entusiasmo. Os preconceitos e reclamações marcam presenças.

Nesse mês de janeiro, já temos um balanço de certas acrobacias. O Santa Cruz mantém sua trajetória vitoriosa, ameaçada pelo confronto contra o Náutico. O Sport não parece, ainda, estruturado. No Rio, o Vasco vive um crise sem tamanho. Saiu o andarilho PC Gusmão da direção técnica e o ambiente ferve. Mas o Flamengo navega por outros mares. Não ver a hora de contar com Ronaldinho e Luxemburgo continua como um rei, sem trono. Rivaldo volta. Foi contratado, pelo São Paulo, e lutará contra os descrentes com a sua arte. Ele está com 38 anos. As suspeitas são acionadas.

É bom não perder de vista a renovação anunciada pela CBF. Saída honrosa para evitar tantos desenganos com craques acomodados nas fortunas crescentes. Se for garantida a ida para as Olimpíadas, na disputa acirrada que ocorre no Peru, otimismo prevalecerá. A perturbação não sossega, porque o mercado da bola é misterioso e dá lucros exorbitantes. O brilho das moedas desfaz equilíbrios e coisifica o fascínio. Tece-se a vida, consagrando-se imediato.

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