O futebol e a política: epopéias e descontroles

No mundo do futebol, a vida não sossega. Ela está presente nos desconfortos  que o cerca. Ele nunca foi uma ilha, nem um oásis especial. Seria estranho querer enfeitiçá-lo com encantos exclusivos . Não há neutralidade nas relações sociais. As astúcias do poder se apresentam em busca de seus espaços. Ficar em cima do muro é coisa das traquinagens sadias da infância. Imaginem um político neutro, sem partido e sem projeto, livre de ambições e conversando com os anjos. Fantasia demais faz mal ao coração.

Mas o épico ainda se sustenta, apesar de tantos heroísmos fabricados. O Salgueiro venceu o Paysandu, enfrentando condições adversas. Está classificado para série B. Festa sem igual, para um time que conseguiu feito que o Santa Cruz passou por longe. Mesmo com uma torcida empolgada o tricolor do Arruda fracassou. O Guarany que o derrotou ,  manteve a escrita. Também ascendeu. Mistérios do futebol inesquecíveis, mostrando a força de vontade e a motivação, tão distantes de alguns clubes. Valeram as conquistas, numa época de tantas desconfianças.

A torcida do Corinthians está esquentada. Suas  ameaças descontrolam o time. Fazem parte do noticiário da imprensa. É uma resposta desequilibrada aos insucessos do Timão. A violência só  empurra a sociedade para beira do abismo. Repercute mal, deseduca, tem eco até na forma de construir a política. A democracia sente-se destorcida, pois há muitas outras formas de reclamar e seguir adiante. A gratuidade da rebeldia não garante mudanças, porém tensões mal resolvidas.

Escândalos atingem a cúpula da Fifa. Denúncias são feitas sobre a escolhas das sedes para os mundiais. O abalo é grande. Deve ser apurado, porque os negócios registram corrupções históricas. Maculam a imagem de um órgão que se  julga mais poderoso do que a ONU. Tudo é possível. Os interesses são gigantescos, nos investimentos, que, muitas vezes, não dão retorno para os países que são sede. Quem lucra é  a Fifa e as  empresas que lhe acompanham na aventura fértil do capitalismo.

A novela Neymar continua, com capítulos atuantes, na mídia. Finalmente, apareceu o perdão para seus erros, sacramentado pelo Fantástico. Certos programas da Globo têm uma audiência marcante. Tornam-se cenários de acontecimentos que ganham a simpatia da sociedade. É importante não desvalorizar o craque santista. Ele quer voltar a ser um rapaz sem pecados. Pede para que a sua vida seja bem conceituada. Nada como um domingo, como lugar para cumprir sua penitência e prometer quietude. 

O controle do mercado, sobre as andanças dos humanos, estimula as trocas de favores. Não há desejo de desperdício. Como tudo tem o fascínio da mercadoria, não custa está sempre com o verniz na mão e o discurso da  salvação na ponta da língua. Administrar patrimônios requer espertezas e vitrines. O fatia do bolo mais gostosa é de poucos. Há os que se incomodam, quando a maioria  luta por um maior pedaço. Vivem, sob o manto disfarçado, de que a escravidão é um mal necessário. O toque da dominação é sutil e ousa  controlar a maioria.

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