O futebol e o social: desperdícios e carências

O futebol tem noticiário garantido na imprensa brasileira. Nem sempre, se penetra nos seus esconderijos, nem se visualiza as suas contradições. Destacam-se suas fofocas e a vida pessoal dos seus craques. O futebol precisa de um olhar mais agudo, para que seus admiradores percebam sua inserção na cultura e nas escolhas sociais.

O mercado da bola está fervilhando. Temos, pouca clareza, sobre seus investimentos, pois o capital financeiro entra no seu espaço, com armadilhas espertas. São ofertas fabulosas. Somas de dinheiro que provocam enriquecimentos rápidos e traiçoeiros. A Inglaterra tornou-se o paraíso de incríveis negócios. Os clubes são empresas de grande poder e autonomia.

A profissionalização reorganizou as ações esportivas e as transformou em espetáculos,muitas vezes, caros. Privatizou, mais ainda, uma diversão que atraía um público com dificuldades de comprar ingressos. Basta lembrar-se da última Copa de 2010. Estádios suntuosos, convivendo com a miséria de grupos excluídos historicamente.

Houve mudanças radicais. Não podemos classificá-las de negativas, em todos os sentidos. É importante ter acesso a espaços decentes e com boa tecnologia. Mas não devemos esquecer-nos de perguntar: quem pode ter, efetivamente, esse direito,  ou ele pertence, apenas, a uma minoria privilegiada ?

Os interesses promovem uma disputa sofisticada entre os grupos internacionais. Milhões de euros desfilam pela sociedade e entontecem os  que pensam em usufruí-los. Os jogos da  Copa devem ser realizados em estádios monumentais, segundo exigência da FIFA. Alíás, o vocabulário se renova. São chamados, agora, de arenas esportivas.

O Brasil se estrutura para Copa de 2014. Notícia, por demais, conhecida. Seguem os desencontros sobre as possibilidades de concretizar-se um planejamento bem articulado. As críticas continuam alertando para os perigos do desperdício. A transparência é menosprezada em nome do lucro e das monobras. Os constrastes não serão diferentes, se os governos não acordarem para os buracos da saúde, da educação e dos transportes.

O capitalismo sobrevive da sua força de convencimento, não ,  exclusivamente, das artimanhas da economia e do sucesso dos seus administradores. Cria-se uma mentalidade que valoriza a vaidade desmesurada, alicerçada na propriedades dos bens materiais. Não há sinais de outras alternativas.

A informatização ganha espaço e os celulares tocam sem cessar. A máquina do dinheiro tem pressa, não se  comove com as instabilidades emocionais. O que vale é o modelo mais brilhante, o luxo de possuí-lo e esnobá-lo.

O futebol está  envolvido com as estratégias das grande marcas. O segredo do negócio não nos pertence. Para isso, existem diversas indústrias dando conta das ansiedades humanas. Não faltam consultorias e especialistas. Muitos clubes acompanham os negócios e já crescem como bolsa de valores.

No entanto, as carências são muitas. A maioria dos jogadores sofrem, com atrasos salariais, e vivem, na aventura, de não saber como será o outro dia. Ronaldo, Ronaldinho, Kaká, entre outros, fazem parte de uma nobreza, cheia de intenções filantrópicas e de mente construída no amém da ordem.

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2 Comments »

 
  • Patrícia disse:

    Não gosto de futebol e não entendo nadinha desse mundo…Sabia da existência do blog mas estava com uma certa preguiça de olhá-lo…

    Grata surpresa… seu texto é belo, poético, diz de uma sensibilidade rara…

    Obrigada Antônio….

    PS: Vou divulgar para meus alunos.

  • Patrícia

    Grato pela companhia. Volte sempre, para compartilharmos os bons encontros da vida.

    abs

    antonio paulo rezende

 

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