O futebol: nas escritas das manifestações e dos desacertos

 

Houve um intenso movimento de insatisfações nas ruas brasileiras. Faltaram explicações para decifrar tantos protestos. Uma diversidade de reclamações, como também de iniciativas políticas. Mas não se pode negar que havia uma inquietação permanente. Ela ainda não cessou. Há problemas que não se escondem ou pedem soluções urgentes. Os governos ficam elaborando projetos. Não observam que o fundo do poço está próximo. O descuido com a saúde e a educação não diminui. As verbas correm da burocracia que cerca as ações. Muito papel para resolver questões que multiplicam a miséria.

Fica difícil esperar que o silêncio se consolide. As esperanças se vestiram pelo avesso. Não adianta discursos alternativos se as pressões não avançam. Os políticos morrem de medo de perder cargos e celebram as eleições com festas, doações e grana solta. No entanto, o reino das promessas prospera. As corrupções alargam espertezas. Há justificativas fluentes para desgovernos cínicos. Numa sociedade com uma mídia astuciosa e envolvente muitos se salvam e desconhecem qualquer punição. É a vida, num mundo que se modernizou aprisionada pelos ritmos do fetiche das mercadorias.

Os jogadores de futebol também se articularam. Afinal, os desajustes existem de forma avassaladora. O esporte não escapa das falcatruas. Falta bom senso. Faltam compromissos com a ética. Sobram interesses pelos milhões de euros. Portanto, a diversão popular está atravessada por desenganos. Muitas ilusões fabricadas e a desculpa que a Copa Mundo trará benefícios futuros. Joga-se para frente obras que deveriam ser construídas para o cotidiano da população.

Isso é pouco. Há jogadores afortunados, porém a maioria não consegue tostões suficientes para garantir o mínimo. Anunciam-se  negócios que encantam privilegiados. A situação não é nada simpáticas. As distorções não se aquietam. Há ressentimentos guardados, dirigentes não se tocam que o abismo pode não ter fim. O movimento dos jogadores está trazendo ruídos. Quem pensava na acomodação, denuncia  que  é preciso mostrar que o descontrole  fabrica  disfarces. A reflexão e a crítica se estendem para além do que parece comum.

É importante que a sociedade se movimente. As exclusões não param de atingir grupos. Fragmentam o esforço da coletividade. As manipulações se especializam, empurram verdades que adiam a socialização das conquistas. Quem se concentra no fazer social sofre com certas surpresas. As mobilizações não podem significar, somente, a agitação de partidos ou alimentar as teorias dos intelectuais. Há parte expressiva da população que se perde no meio de tantos desacertos. Quem nega que o bom senso é necessário? Quem não se assusta com a violência solta e, aparentemente, gratuita?

A saúde está precária. Querem mudar a educação com o uso de tecnologias. Não observam a qualidade de vida do professor. Muitas escolas públicas padecem como depósitos de lixos. Os saberes viram ruínas, a competição se acelera, mas se  exalta a política do pão e circo. Os  labirintos têm arquiteturas sutis. Nem sempre, construímos saídas. Quando os dominantes fecham as portas, a cultura se despedaça. Uma sociedade sem afeto e alegria não transforma a história. Confunde-se com os artifícios da modernização, espalha agressividade e insegurança..

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