No mundo do futebol:contrapontos e decisões

O Brasil envolveu-se com a eleição, mas o futebol não parou. As torcidas não se escondem. O fracasso, na Copa da África do Sul, trouxe vontade de renovação. Os esquemas de antes não funcionam, derrubavam esperanças e montavam polêmicas vazias. Mano Menezes assumiu a seleção com outros objetivos. Destacou os mais novos e prometeu diplomacia nas relações com a imprensa. Foi recebido sem contrapontos.

Escolheu seu elenco e segue segurando sua difícil missão. Agora, vem o jogo contra a Argentina. Um teste mais provocador, para avaliar como anda a preparação. Chegam as críticas. Reclamam de certas omissões. Robinho continua soberano. Parece o grande líder do grupo. Dizem que passa experiência. Ajuda na composição da sinfonia da mudança, embora não seja mais um menino da Vila. O que se fala é que faz tempo que o ex-santista não atua com arte. Escora-se na fama do passado.

Ronaldinho volta ao cenário. A seleção carece de meias. Ele conquistou à simpatia de Mano. Muitas conversas, dissidências de parte da crônica, mas retorna aquele que parecia ser inesquecível. Suas partidas , no Milan, ainda não convenceram. Instabilidade e certa apatia não estimulam o sonho de vê-lo em forma, como no começo da sua carreira. Há algo nas especulações que firmam mistérios. Isso é comum no futebol. Craques transformam-se em ídolos e depois vegetam no ostracismo.

A grita maior se deu pela não convocação de Hernandes e Marcelo. Os dois estão atraindo um fã-clube crescente, devido as suas atuações na Lazio e no Real. Não foram chamados. O técnico traça o caminho. Suas experiências trarão esclarecimentos mais profundos sobre suas escolhas. No entanto, já se nota barulhos e desconfianças. Ser comandante da seleção é morar em um território sem fronteiras. Todos desejam um pedaço, para construir suas habitações.

O quente está na disputa do Brasileirão. Não houve empolgações fascinantes. Não surgiram talentos excepcionais. Domina a mediocridade, com poucos lampejos de alegria. O que  impressionou foi a dança dos professores. Alguns obtiveram êxito com as trocas de times, outras permaneceram esquecidos e desprezados. O futebol é cruel. As vitórias sinalizam lucros e patrocínios, portanto quem foge do padrão, sai do palco.

O Brasileirão tem sua série B, onde o embate do chutão se alarga, pois aí a arte não consegue lugar. O Náutico e o Sport vivem suas amarguras. Hesitam para a intranquilidade geral dos torcedores. O Timbu teme a desclassificação.Seca adversários. Roberto Fernandes não sosega. Compromete-se com a saída do sufoco.  Por sua vez, Geninho busca o avesso. O Leão encanta-se com a possibilidade de ir para série A. Enfrenta vacilações. Ontem, o Timbu perdeu e o Leão rugiu.

O futebol contempla muito dos fazeres da cultura. Revela tramas, desenha sentimentos, formula diferenças. Depois da tanta discussão  política não custa pensar como as relações são complexas. Sabores e saberes, éticas e estéticas estão visitando e incomodando os que, apenas, se espreguiçam. Quem cultiva preconceitos não tira os olhos do chão. As veias abertas, para o mundo, são sinais de que o coração bate, sem os desprezos dos ressentidos.

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6 Comments »

 
  • Rafael disse:

    Antonio Paulo:
    O futebol, a literatura e a arte agradecem as suas palavras. Assim como Midas, no qual tudo que tocava virava ouro, o senhor, tudo que escreve vira arte e fascínio.
    Futebol, o esporte mais popular e famoso do mundo, ao ponto de a FIFA possuir mais adeptos do que o COI, entretanto, infelizmente, virou um negócio, um puro e simples sistema de lucro.
    Tive a oportunidade de frequentar, por algum tempo, a camada de base de um grande time de Recife, que por sinal, é o meu time do coração, onde pude perceber que o mais valioso era: contrato, “bicho” e imediatismo, ou seja, caso o rival oferecesse titularidade, dinheiro e mais dinheiro a troca era rápida. Não deixei de torcer e de frequentar o estádio, pois, da mesmo forma que chiclete, não largamos o nosso amor.
    Perdão pela informalidade, pois “É difícil escrever, só com palavras, a vida”, como falava João Cabral de Melo Neto.
    Abraços e até

  • Rafa

    O futebol é parte ativa da cultura. Mexe com tudo. É bom saber das sua trilhas. Você captou como a coisa se faz, mas há outros lados. O jogo ajuda a entender a vida.
    Grato pela sua presença assídua
    antonio paulo

  • Rafael disse:

    Antonio:

    Se existe alguém para agradecer não é o senhor e muito menos eu, mas, sim, a sociedade.
    Grato pelos textos e comentários respondidos.
    Obs: Caso lhe seja conveniente, tente um dia aparecer lá no curso, pois também sou aluno de Marcinho.
    Grande abraço

  • Rafa

    Já falei com Márcio. Deixe passar essa fase de muitas provas que vou conhecer vocês. Tenho uma viagem para fazer , em novembro, e umas obrigações para cumprir. Não terminaremos o ano sem contato pessoal. Sou grato pelas leituras e pelo afeto. O blog é um caminho para exercitar a leitura e a escrita, sobretudo para vocês que estão numa competição tão acirrada. Bem que a sociedade poderia ser outra….
    abs
    antonio paulo
    abs
    antonio paulo

  • Daniel Silva disse:

    “Ser comandante da seleção é morar em um território sem fronteiras”.

    Antonio,
    achei magistral esta frase… lembro que, desde Telê, todo mundo quer se apossar dos destinos da seleção. E, como alguns dizem, ninguém terá unanimidade como treinador… em cada convocação, flutuação de opiniões…

  • Daniel

    É mais que um cargo. É uma vaidade sublime no campo do futebol.
    Grato e um abraço
    antonio paulo

 

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