O genocídio silencioso

A população cresce de forma assustadora, mas os privilégios sempre se tornam senhores de uma minoria. Não há perspectiva de que a globalização harmonize as relações e que entrelacem suas descobertas. A tensão segue abusando de armadilhas. A dor dos refugiados traumatiza, mas enriquece quem não se toca com a morte dos mais pobres e trame espaços que ditem qualidades de vidas desiguais. É uma saída para manutenção de impérios, para consolidar fragmentações e promover silenciosas estratégias nada fraternas. Estamos longe de palavras de ordem que lembrem utopias.

As epidemias arrastam multidões para agonias. Os aeroportos fecham, as máscaras escondem os rostos, as especulações não negam perigos tecnológicos ou mesmo práticas de destruição do outro. Portanto, a desconfiança coloca as relações internacionais numa ponte que balança sem cessar. Quem ganha? Quem perde? São estranhos os limites tecedores das políticas. A questão é justificar preconceitos, organizar ataques bélicos, surpreender para dominar.

Não se trata daquele holocausto de guerras passadas. A história pede descontinuidade que iniba covardias e estreite possibilidades de superar o desequilíbrio. Tudo parece conviver com os paradoxos persistentes. Há quem não tolere proximidades e estimule intrigas. É claro que o cinismo se alarga. As sociedades se estranham, as verdades buscam caminhos desencontrados, as pedras permanecem no meio do caminho como bombas, os gabinetes acesos preparam esconderijos e planos assassinos.

O silêncio traduz, muitas vezes, quedas astuciosas.Convoca-se a memória atrás de refúgios. Será que a comunhão nunca existiu? Sera que necessidade depende de políticas vaidosas e centralizadoras? Desfazer-se das dúvida não combina com tradições milenares que reforçam intrigas religiosas, racismos perversos, sonhos confundidos com pesadelos. A eliminação do outro não é uma manchete atraente. O engano articulado costura histórias que massacram maiorias e mostram ruídos invisíveis.

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