O historiador no meio do mundo

As informações correm atrás das pessoas, modelam espelhos. Há pressa em refazer as notícias, em apresentar novidades técnicas. Não se esqueça do fetiche das mercadorias. Portanto, as ambiguidades continuam marcando presença, incentivando discórdias, fomentando ambições, exaltando conquistas. Como construir uma análise numa via de tantas idas e vindas? Qual o diálogo que o passado estimula com a contemporaneidade? Quem acredita que a modernidade se desmanchou e o pragmatismo toma conta das instituições? Sobram críticas e fôlegos para ânimos solidários?

O historiador está no meio do mundo. Seus afazeres acadêmicos se misturam com cotidianos urbanos cercados de anúncios e ameaças. Mas não pode se afastar das pesquisas, nem se tornar um espectador produtor de teorias inúteis. Há perplexidades. Muitos se perguntam para que servem os historiadores num mundo que possui um relação tensa com a memória e se fascina com as imagens e as acrobacias dos meios de comunicação. Existem desconfianças e condenações.

O historiador não pode desviar o olhar das tantas contradições que acompanham as relações sociais. Faz suas escolhas, procura suas fontes, consolida argumentos, mergulha nas turbulências. Sabe que a apatia anula o desejo de mudanças e que seus escritos podem influenciar nas concepções de mundo. Como criar utopias sem análises históricas e comparações entre os tempos? As datas e os nomes desfilam, porém estão articulados com situações e conflitos. Será que o poder só responde às demandas da política?

Quem movimenta saberes fermenta inquietações. Não há saber morto, mesmo que revele tradições conservadoras. O saber tem seus adeptos e a diversidade se amplia. As confusões não se ausentam. Há quem se esconda nas gavetas dos preconceitos culturais e elabore discursos tecnológicos ditos avançados, com justificativas progressistas. Será que há mesmo consistência quando se elege a quantidade como valor fundamental? Os saberes estão não isentos de falhas, mas  podem contrariar a sede do defensores do capital.O historiador está no meio do mundo costurando seus mantos.

As divergências metodológicas são importantes, para evitar a estabilidade de verdades. Quando constrói sua análise, o historiador traça caminhos políticos. Precisa ter cuidado com o efêmero e se situar na época em que vive. Os anacronismos distorcem e invalidam reflexões. O conhecimento é relativo, contudo é comprometido.  Se a velocidade puxa os raciocínios superficiais não custa ser paciente. O bordado do texto ajuda a esclarecer as dúvidas de cada época. A impaciência crônica transforma o historiador num colecionador de papéis.

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