O individualismo e as fronteiras possíveis dos sentimentos

 

Ninguém deve dispensar as fantasias. A aridez deixa gosto, isola, cria apatias. Uma sociedade que cultiva tensões, estica raivas, pode se tornar um campo de guerra. Somos animais sociais e precisamos de entrar no universo dos sentimentos. Há ambiguidades, temores, vacilações. A complexidade nos visita com assiduidade. É um visionário quem espera por uma transparência plena. Temos que conviver com as sombras. Lá está Sísifo lutando para enganar os deuses. Vivemos numa época diferente, mas há ares do passado, há a compulsão à repetição como diria Freud. Drogas circulam, farmácias fazem bom negócios. Como não desconfiar da onipotência?

Inventamos a história ou alguém nos colocou nela sem pedir desculpas. Para viver, a cultura se enche de malabarismos. Não é difícil tropeçar, se sentir estranho e apelar para salvação eterna. A multiplicidade de crenças salienta que as respostas são frágeis e se incomodam com a extensão dos mistérios. Não pense em soluções, para os ataques, que sejam definitivas. O balanço do trapézio é uma imagem que me encanta e me assusta. A história possui tantos tempos que as tonturas lembram as simultaneidade. Os circos atuais possuem camarotes especiais e são patrocinados por bancos. Perderam a magia, ornamentaram-se, mas mantêm o espetáculo globalizado.

Como jogar fora as ilusões e se embriagar com devaneios? A vida se movimenta, os ritmos são,às vezes, alucinantes, porém há espaço para contemplação. Não estigmatize as cores. Elas não se resumem a um único significado. É fundamental que elas fluam, atravessem caminhos, morem em cada esquina e não sejam sepultadas por preconceitos. Escute o ruído mais discreto, esconda as panelas na cozinha e tente refletir sobre os afetos. Quem se admira com o poder dos cargos é mesquinho e não observa o ridículo do seu individualismo. Há quem nunca quis aprender ou despreze as aventuras da cultura. Torna-se o soberano da sua própria ignorância. Uma assombração pesada que surpreenda os ingênuos.

Não somos obrigados a ser testemunhas de tudo. Os fragmentos atormentam quem julga o totalitarismo admirável. Risque a leitura das manchetes apressadas. Não é indigno reconhecer erros. Pior é travar o coração e ressaltar a objetividade como verdade indiscutível. Se a mistura de ideais obscurece o entendimento, exercite paciência e nunca a hipocrisia. Há quem se abasteça de tumultos. Padecem de sadismos crônicos. mascarados com ironias eruditas Para que a psicanálise  sobrevive? A consciência é o limite? Já dialogou com as tragédia gregas? Não faça do mínimo a razão da sua escolha. Estreitar as sociabilidades e apresentar-se como vítima fazem parte dos humores mal resolvidos.

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