O inesperado e os passeios da história

Ficar na compreensão da história limitado ao jogo das causas e consequências é promover a preguiça. Não há uma lógica determinada, um futuro traçado, mas surpresas que aliviam ou provocam agitações. A eleição, na Grécia, trouxe novidades, animou quem já decretava o fim de qualquer contraponto.No entanto, nem tudo significa mudanças. As negociações são, muitas vezes, intermináveis. Os interesses dominantes não deixam de marcar a corrida do capital e os anseios de consumo. Esperar geometrias fixas é não inquieta a sensibilidade e a vida.

No Brasil, a confusão é grande ou o descuido administrativo ganha múltiplas dimensões? Dilma se encontra em encruzilhadas esquisitas e continuam escândalos afetando expectativas otimistas. Os desmantelos econômicos são enormes e água se torna escassa. Ninguém se sossega com as ameaças de transtornos no cotidiano. a globalização nos aproximou das diversidades culturais. Isso traz aprendizagens que não devemos ocultar, junto com tensões que se espalham de forma violenta. Os entrelaçamentos dificultam decisões e fermentam desconfianças.

Criam-se planejamentos para evitar as incompletudes. Muitos são fantasias políticas que as gestões não dão conta. A questão das prisões superlotadas é antiga. Nada se faz para que ela seja diminuída. Surgem as crises e os medos. Nota-se que os desajustes são camuflados. Gasta-se grana com anúncios de soluções que são esquecidas, quando a dificuldade se torna mais amena. Tudo estimula urgências que são desprezadas. Não há datas que neguem a necessidade de máscaras. Elas estão para além dos carnavais. Vestem corpos e distraem amarguras. O presente é companheiro do passado, não há divórcios radicais.

As acrobacias do bem e do mal percorrem a história e os debates. Há uma pedagogia que alimenta comportamentos ou temos destinos desenhados por uma natureza? A educação muda as pessoas? Existem aqueles que se identificam com a competição? Sobram dúvidas. Resta afirmar que os comportamentos assumem desigualdades e motivações que derrubam teorias filosóficas e análises estatísticas. Basta observar as notícias, os pronunciamentos, as ações dos opressores, as reações dos dominados, os julgamentos dos vizinhos, as exigências das crianças, os costumes flutuantes, a frustração dos velhos ídolos…Tradições são modificadas em nome da mágica do desenvolvimento.

Prosseguem, porém, atitudes ditas conservadoras. Questiona-se a sexualidade e suas opções, acontecem conflitos em nome de deuses, fragilizam-se afetos para salvaguardar autonomias. Os territórios estão repletos de armadilhas e de ficções salvadoras. O importante é não apagar as possibilidades de diálogo. Quando abandonamos a conversa, manifestamos uma solidão doentia. As ambiguidades nos visitam sem cerimônias. O sagrado e o profano se  costuram nos mantos do acaso e do desamparo. As equinas esperam os amantes e os desesperados. É vadio ou o vazio?

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