O jogo é moradia da surpresa na marca do pênalti

A Copa America derrubou especialistas e profetas. Deu, também, prejuízo. Havia quem esperasse uma final espetacular entre Brasil x Argentina. Transmissões internacionais, com milionários patrocínios, enchendo as salas, de telespectadores, e os bares, de garrafas de cerveja. Nem tudo acontece como mandam os deuses mais pacíficos. Há os que gostam de trocar as direções, fazer suspenses, criar desgostos. O Uruguai não deixou os argentinos vibrarem. O Paraguai impediu  show dos meninos brasileiros. A frustração deu nó no mercado da bola. Ganso e Neymar estiveram longe do sucesso. Desvalorizam-se. Falta experiência. A vaidade paralisou a inspiração. Só para recordar: Pelé foi campeão do mundo, mais jovem, marcando tentos inesquecíveis.

Não desconfio da arte dos santistas, nem tampouco choro a derrota da seleção canarinha. É bom construir renovações no elenco e não acelerar a chegada do êxito. Não nego, porém, que senti desânimo na prorrogação e vacilo, de Mano Menezes, nas substituições. A vitória não era  importante ou apenas teste para equilibrar o time? Ficam dúvidas, mas o desastre não é definitivo. Sem permanências, as coisas não se firmam. Existem jogadores que não convencem. É uma opinião. Não escalaria Fred, nem André Santos. Vamos aproveitar o tempo. Fofocas acompanham qualquer planejamento e o futebol é presença cotidiana.

A Argentina não se encontra. Morre nos delírios do seu mito Maradona. Messi não consegue acertar. Consagra-se na Europa, solta-se no Barcelona, porém se apaga com os tangos de Buenos Aires. É interessante o peso do emocional. Muitos o desprezam, avaliando tudo pela objetividade. Pense na cobrança dos pênaltis perdidos na Copa América. Qual seria a razão dos desperdícios? A fama incomoda. Neymar é brincalhão. Junta-se com Robinho.Multiplicam gozações. Jogo é sorte, aventura, magia, mas, também, disciplina, compromisso, expectativa. Portanto, é preciso alegria e envolvimento.

O Uruguai não hesitou. Forlán não se furta de olhar o coletivo e distribuir a bola com excelência. O foco se mantém, pois a luta não cessa. O Uruguai não possue os talentos que têm o Brasil e a Argentina. Isso não o inibe. O jogo não se encerra na véspera ou nos elogios da mídia. As competições esportivas mostram que a ambição excessiva tumultua e não indica  conquistas. Muitos se arrastam, desfilando com ares individualistas, sacudido seus sacos de euros, com se não houvesse possibilidade de erro. Esquecem os contrapontos, as sinuosidades, as dores, os trapézios escorregadios. Depois, escolhem culpados e se trancam em conversas sigilosas, acusando supostos inimigos.

Pois é. Tudo isso é a travessia da aprendizagem. Quem se protege e risca os espelhos abandona o instante da reflexão. O passado ensina, por mais que o rejeitemos. As geometrias não se desenham com linhas retas e instransferíveis. As ciências se abrem para conhecimentos que nem a ficção científica imagina. A Copa América se vai. Resta esperar que  novas oportunidades concretizem esperanças desfeitas. Sem analisar o que aconteceu, a maldição da mesmice não se decompõe. A saída não é mudar a forma do cabelo. A fama esconde pântanos, na areia do pênalti. Amanhã, Uruguai e Paraguai fazem o fim da festa.

 

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4 Comments »

 
  • Gleidson Lins disse:

    “O jogo não se encerra na véspera ou nos elogios da mídia”. “Forlán não se furta de olhar o coletivo e distribuir a bola com excelência”. Talvez essas duas frases do texto sintetizem essa Copa América. As seleções que, junto com a mídia, acreditavam que bastava entrar em campo e cumprir os 90 minutos para receber as honras da vitória, sucumbiram. Aquelas que encararam o resultado da partida é construído dentro de campo, lance a lance, coletivamente, tiveram sucesso. Além disso, Forlán demonstrou como deve jogar um craque: o foco deve estar na equipe. Ele é o melhor jogador da competição sem ter sequer marcado um gol. No modelo uruguaio, a Venezuela de Arango e o Peru de Vargas e Guerrero chegaram mais longe do que esperavam. Eles e a mídia, ilusora de resultados.

    Abs,
    Gleidson

  • Gleidson

    O jogo tira certezas. Quem sabe se as coisas agora se transformam. Menos vaidade faz bem e prova que há talento.
    abs
    antonio paulo

  • Anderson Carlos disse:

    Ótimo post Rezende, concordo com a maioria das coisas colocadas nesse texto. Acredito que a comissão técnica e a CBF em geral precisa se decidir a respeito do rumo da nossa seleção. A grande questão consiste em o que realmente estamos querendo dar prioridade. Se estamos preparando este time de garotos para o próximo mundial ou se apenas queremos um bom time para continuar dominando as Américas. Se a comissão técnica da nossa seleção optar pela primeira opção, temos que ter calma com estes garotos, pois acredito que em algum momento este time vai engrenar. No entanto, acho que se realmente esse planejamento passa pela mente da comissão técnica deve-se apresentar a todos de maneira aberta para que, as criticas não venha a “fritar” esses garotos, colocando tudo a perder. Agora, se realmente queremos continuar com a grande soberania conquistada por anos aqui em nosso continente vejo como errônea a escalação de um time de tantos garotos. Não quero dizer com isso que, a idade é o principal fator para esta seleção não está dando certo. O paradigma não é “quando” colocar e sim como “colocar”. Se continuarmos dando responsabilidades de título a um time basicamente de meninos dificilmente teremos êxito.
    Apesar dos pesares estou bem esperançoso para o próximo mundial acredito que chegaremos ao sonhado Hexa. Força canarinha!

  • Anderson

    Os negócios atrapalham a equipe. A direção de futebol fabrica interesses, mas temos bons jogadores. Vamos torcer. Espero resultados que devolvam a esperança.
    abs
    antonio pULO

 

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